• Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Galípolo: 2026 pode ter maior “volatilidade”, mas BC não muda postura

"O BC deixou claro que cumprirá o seu mandato, produzindo a convergência da inflação à meta com mais ou menos custo", afirmou Galípolo

O presidente do (BC), , reiterou nesta quinta-feira (27/11) que a autoridade monetária continuará se baseando em dados e indicadores econômicos para cumprir seu objetivo de levar a inflação no Brasil de volta à meta. Galípolo participou do evento “Perspectivas 2026”, promovido pela Itaú Asset Management, em . As falas do chefe do BC vinham sendo muito aguardadas pelos investidores, em um dia de menor liquidez no mercado por causa do feriado nos (Dia de Ação de Graças). No evento do Itaú, o presidente da autoridade monetária reconheceu que 2026 tende a ser um ano que gere “maior volatilidade” nos mercados em função da disputa eleitoral no Brasil. No ano que vem, o país terá eleições para a Presidência da República, os governos estaduais, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. “O BC já está olhando para um horizonte que perpassa o ano eleitoral. Vamos continuar vendo como as coisas estão se desenrolando. Sabemos que anos de eleição são anos que podem apresentar maior volatilidade, mas o BC segue na lógica de que não faz um juízo de valor sobre o que acha que será feito a partir da eleição”, afirmou Galípolo. “Plano de voo” O chefe do BC foi questionado sobre a atual política monetária e disse que a autarquia vem mantendo o seu “plano de voo”, apesar de eventuais pressões e críticas em relação ao patamar mais restritivo dos juros no país. . O Brasil tem a quarta maior taxa nominal de juros do mundo e é o (a taxa nominal descontada a inflação). . “Do ponto de vista do BC, temos uma trajetória que vem seguindo próxima do que tínhamos imaginado de plano de voo. Quando começamos a elevar a taxa de juros, de um lado se tinha a ideia de que isso produziria um declínio abrupto da economia e, do outro lado, uma desconfiança sobre a reação do BC e se a política monetária daria conta de que produzir a convergência da inflação à meta. Esses dois riscos emagreceram significativamente”, observou Galípolo. Segundo o presidente do BC, “os dados continuam mostrando um processo de desaquecimento da economia, mas bastante lento e gradual”. “De um lado, isso nos deixa atentos e preocupados e, por outro lado, ele afasta o risco de produzir uma desaceleração muito abrupta da economia”, disse. “Não é de hoje que o Brasil tem as taxas de juros mais altas quando comparado aos seus pares. O BC deixou claro e vai continuar deixando claro que cumprirá o seu mandato, produzindo a convergência da inflação à meta com mais custo ou menos custo”, prosseguiu Galípolo. Leia também No último dia 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística () divulgou os dados oficiais de inflação referentes ao mês de outubro. , 0,39 ponto percentual abaixo da taxa de setembro (0,48%). No acumulado do ano até outubro, a inflação no Brasil ficou em 3,73%. Em 12 meses, o índice foi de 4,68%, abaixo dos 5,17% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro do ano passado, a variação havia sido de 0,56%. , acelerando em relação a outubro (0,18%). Já no acumulado de 12 meses até novembro, o indicador foi de 4,5%, abaixo dos 4,94% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, o índice ficou em 4,15%. Segundo o Conselho Monetário Nacional (), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%. A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica. Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. “ com um dado específico. Queremos reunir dados e ganhar confiança nesse processo. A mudança na última comunicação foi dizer que os dados continuam mostrando que a tendência segue na direção que imaginávamos”, afirmou Galípolo. “Mas os dados novos continuam apontando nessa direção – de que a política monetária está funcionando, mas de maneira bastante lenta. Não vejo nenhum dado novo neste ciclo que promova qualquer mudança para a gente”, reiterou. Estados Unidos No evento do Itaú, Gabriel Galípolo também comentou o cenário econômico internacional, especialmente a situação da economia dos EUA, a maior do mundo. “A partir do Dia da Libertação, começamos a ver aquele movimento de perda de valor mais acentuada do dólar. De lá para cá, tem sido mais um comportamento que responde à política monetária. As projeções que existiam inicialmente sobre qual seria o impacto das tarifas não se realizaram. Esses impactos foram bem menores neste ano”, comentou. O “Dia da Libertação” (2 de abril de 2025) é a data na qual o presidente dos EUA, , anunciou um amplo pacote de tarifas de importação sobre produtos de vários países, inclusive o Brasil. Esse conjunto de medidas incluía uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações, a partir de 5 de abril, seguida por novas tarifas sobre países específicos e outros produtos. “Se esse impacto vier, ele é um aumento no nível de preço, mas não um processo inflacionário. E esse aumento no preço não deve se prolongar”, projetou Galípolo. “O cenário que enxergamos é uma dúvida se você ainda terá os efeitos defasados das tarifas. E os efeitos da inteligência artificial [IA] e como eles podem impactar o mercado de trabalho”, prosseguiu o chefe do BC. “Tem uma sensação de que a IA vai produzir ganhos de produtividade e sancionar parte das expectativas que existem do ponto de vista do crescimento, mas vai garantir um mercado de trabalho mais frouxo e isso não vai gerar tanta pressão inflacionária.” BC e os seus desafios No seminário do Itaú, o presidente do BC também foi questionado sobre sua experiência no comando da autoridade monetária. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele assumiu o cargo no dia 1º de janeiro de 2025 e está prestes a completar seu primeiro ano no posto, após suceder o economista Roberto Campos Neto. “A questão da credibilidade da instituição nunca é resultado de uma personalidade ou de uma pessoa. É um processo de construção coletiva ao longo do tempo do qual participaram todos os técnicos, todos os diretores e presidentes anteriores”, disse Galípolo. Segundo ele, “a história do BC é se consolidar como instituição de Estado, com uma visão institucional, e ele não está preocupado em fazer movimentos para se apresentar bem midiaticamente, mas em consolidar o seu trabalho”. “Nunca é simples. A autoridade monetária do Brasil tem os seus desafios, mas eu sou muito beneficiado pelo trabalho dos técnicos do BC”, concluiu.
Por: Metrópoles

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