A parceria entre Fifa e YouTube para a Copa do Mundo de 2026 marca um avanço na mudança do consumo de eventos esportivos, com maior protagonismo das plataformas digitais e dos criadores de conteúdo.
Nos últimos anos, entidades esportivas passaram a rever a relação com as redes sociais. Em vez de combater a circulação de trechos de jogos sem autorização, como faziam no passado, organizações como a Fifa têm optado por acordos com plataformas digitais para ampliar seu alcance.
O YouTube reúne cerca de 2,7 bilhões de usuários mensais, o que equivale a quase 1/3 da população mundial, segundo o portal especializado El Míster.
A plataforma já foi palco de recordes de audiência em transmissões esportivas, como a exibição dos jogos da Copa do Mundo de 2022 pela CazéTV. Neste ano, só o canal do youtuber Casimiro Miguel, em parceria com a LiveMode, irá passar todas as 104 partidas da competição no Brasil.
A parceria com a Fifa estima que detentores de direitos possam transmitir os 10 primeiros minutos das partidas em seus canais na plataforma. Também será possível exibir alguns jogos completos, além de disponibilizar conteúdos do acervo da organização, como partidas históricas e bastidores.
O acordo inclui ainda a participação de criadores de conteúdo, que terão acesso ampliado para produzir materiais exclusivos, como análises, bastidores e conteúdos especiais sobre o torneio.
A mudança se dá em um cenário de transformação no comportamento do público, especialmente entre os mais jovens. Dados indicam que parte relevante dos fãs prefere acompanhar conteúdos esportivos por meio de criadores e plataformas digitais, em vez da televisão tradicional.
Estudos mostram que a audiência mais jovem tende a consumir o esporte de forma fragmentada, com destaque para trechos curtos, análises e interações em tempo real. A televisão, baseada em programação linear, enfrenta dificuldades para competir com esse modelo.
Além disso, a fragmentação dos direitos de transmissão em diferentes plataformas dificulta o acesso do público, o que também favorece o consumo digital.
O movimento da Fifa acompanha outras iniciativas do setor esportivo e reforça a tendência de integração entre direitos de transmissão e plataformas online.
Modelos alternativos, como ligas criadas por influenciadores, também ganham espaço. Competições organizadas por criadores já acumulam centenas de milhões de visualizações, baseadas na interação com o público e em formatos voltados ao ambiente digital.





