• Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

FGC estima R$ 6,3 bi com Will Bank; rombo do Master supera R$ 47 bi

Fundo Garantidor de Créditos já havia calculado aporte de R$ 41 bilhões aos clientes com a liquidação do Master.

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) disse nesta 4ª feira (21.jan.2026) que estima um pagamento de R$ 6,3 bilhões com a liquidação extrajudicial da Will Financeira, nome fantasia do Will Bank. Com isso, o rombo no fundo pelo caso do Banco Master aumenta para R$ 47,3 bilhões.

O FGC disse que seu mecanismo de garantia passa a vigorar em favor dos depositantes e investidores elegíveis. O Poder360 já publicou que o Will Bank tinha relevante passivo de clientes titulares de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) no valor de R$ 5,7 bilhões em 2025 adquiridos junto a plataformas de investimento. Cerca de 2,5 milhões de clientes próprios aplicaram seus recursos, sendo que o saldo médio era de R$ 300.

Informações públicas mostram que, em setembro de 2025, a Will Financeira tinha um passivo de R$ 6,56 bilhões em depósitos a prazo.

O FGC havia anunciado um aporte de R$ 41 bilhões aos clientes bancários com a liquidação do Banco Master. Com o valor adicional de R$ 6,3 bilhões, o rombo nas contas do fundo supera R$ 47 bilhões, já que o Will Bank era controlado pelo Banco Master.

Os pagamentos do fundo aos clientes serão realizados com o regulamento do FGC com base nos dados e valores que serão determinados pelo liquidante. A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados depois da consolidação de informações, segundo o FGC.

“Cabe destacar que a Will Financeira faz parte do conglomerado Master, o que pode afetar o valor estimado dos desembolsos a serem realizados pelo FGC por conta de alguns beneficiários já terem superado o limite de garantia”, disse o FGC.

Os clientes que adquiriram os produtos elegíveis do ressarcimento antes da aquisição do Banco Master, em agosto de 2024, têm a garantia do pagamento preservada. Já os que compraram os CDBs ou outros títulos elegíveis depois terão os valores consolidados para respeitar o limite de R$ 250 mil.

“Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”, disse o FGC.

O BC (Banco Central) anunciou a liquidação extrajudicial do Will Bank nesta 4ª feira (21.jan.2026) depois de dar uma sobrevida de 2 meses à instituição financeira. Não havia liquidado antes, junto com o Banco Master, em novembro, por causa do papel de “inclusão financeira” da instituição financeira.

A autoridade monetária calculou, em 2025, que o Will Bank tinha uma gestão de 7 milhões de contas de clientes próprios. Os titulares dessas contas são, em sua maioria, clientes das classes C, D e E. Foi o que disse o Banco Central ao TCU (Tribunal de Contas da União) em dezembro de 2025. O Banco Central tinha uma preocupação com a liquidação da Will Financeira, porque os clientes perderiam esse acesso ao sistema financeiro regulado.

A empresa concentra suas atividades em pequenas cidades do interior na região Nordeste, com menos de 100 mil habitantes, segundo dados da autoridade monetária.

O Banco Central disse ao TCU que a Will Financeira seria uma das únicas –e, em alguns casos, a 1ª e única– oportunidade de inclusão financeira. “Em razão desse perfil de clientes, fica evidente que a liquidação extrajudicial da Will Financeira traria efeitos sociais extremamente adversos e dificilmente reversíveis”, disse o BC à Corte de Contas em dezembro.

O Poder360 publicou que, em 26 de novembro, o Banco Central defendeu que liquidação extrajudicial do Master permitiria o funcionamento regular da sua controlada “enquanto se encontram em curso negociações que buscam preservar a atividade da instituição”. Menos de 2 meses depois, a instituição também foi liquidada.

O comunicado havia sido feito na ata da reunião do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira), realizada em 19 de novembro e divulgada em 26 do mesmo mês. Leia a íntegra do relatório (PDF – 384 kB).

A autoridade monetária também havia dito, em novembro, quando decretou a liquidação do Banco Master, que o Regime de Administração Especial Temporária do Master se mostrou adequado “tendo em vista a possibilidade concreta” de solução que preserva o funcionamento da sua controladora Will Financeira.

Nesta 4ª feira (21.jan.2026), o Banco Central disse era “adequada e aderente” ao interesse público a imposição do regime sobre o Master ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Apesar disso, afirmou que a solução não se mostrou viável, uma vez que a Will Financeira descumpriu, em 19 de janeiro, a grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

“Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, disse o BC.

O Banco Central declarou ainda que atuará para tomar as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.

Os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis no processo de liquidação extrajudicial.

Leia a íntegra da nota do FGC:

“Conforme Ato do Presidente do Banco Central, n.º 1.376, publicado em 21/01/2026, a Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento foi liquidada extrajudicialmente.

“O mecanismo de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a vigorar em favor dos depositantes e investidores elegíveis.

“Os pagamentos serão realizados em conformidade com o Regulamento do FGC, com base nos dados e valores que serão determinados pelo Liquidante, nomeado pelo Banco Central do Brasil, com apoio do FGC.  A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações. Com base no Censo de Nov/25, informado pela Will Financeira, o valor estimado para pagamento é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões.

“Cabe destacar que a Will Financeira faz parte do conglomerado Master, o que pode afetar o valor estimado dos desembolsos a serem realizados pelo FGC por conta de alguns beneficiários já terem superado o limite de garantia.

“Especificamente, os clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia do FGC antes da aquisição pelo Banco Master, em 21/08/2024, têm a garantia preservada. A partir de 22/08/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil. Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro.

“Por conta das especificidades de cada liquidação, não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Como sempre acontece, os times operacionais empreenderão os maiores esforços para concluir a consolidação das informações no menor tempo possível. Nas últimas liquidações o tempo para início do pagamento esteve entre 30 e 60 dias.

“Para assuntos não relacionados ao pagamento de garantias, como quitação de empréstimos, cartão de crédito etc. o contato deve ser estabelecido diretamente com a instituição liquidada (https://www.willbank.com.br). 

“Cobertura da garantia do FGC

“O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, para o total de depósitos e créditos contemplados nele em cada instituição ou conglomerado prudencial associado. Além disso, há um teto de R$ 1 milhão por período de quatro anos, no caso de quebra de mais de uma instituição no mesmo período. Os instrumentos garantidos incluem, entre outros, conta corrente, poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), conforme regulamento.

“Etapas para pagamento da garantia

“O credor elegível deverá observar as seguintes etapas:

“O liquidante ou interventor do Will Bank envia ao FGC a relação das pessoas beneficiárias com os valores devidos. A consolidação dessa lista requer prazo que varia por instituição.

“O aplicativo do FGC já está disponível; os credores podem realizar o cadastro básico.

“Pontos importantes:

“Importante: O valor que exceder o limite de cobertura do FGC permanece sujeito ao processo de liquidação do Will Bank, em que o credor assume a condição de credor quirografário na massa falida, sem garantia de recebimento dos valores excedentes.

“PASSO A PASSO – PAGAMENTO DA GARANTIA PELO FGC

Quando o Banco Central decreta uma intervenção ou liquidação de uma instituição financeira, nesse momento, o liquidante tem a responsabilidade e a obrigação de preparar a base de credores, e o FGC tem a obrigação de pagar os credores. Com o decreto da liquidação/intervenção, o FGC já faz a provisão dos valores.

“O que o FGC precisa para realizar o pagamento da garantia?

“Sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

“O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos e que integra a rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O Fundo atua para proteger depositantes e investidores por meio do pagamento de garantias, em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras associadas, podendo, também, realizar operações de assistência de liquidez ou estrutural. Criado em 1995, o FGC tem suas reservas e seu custeio financiados pelas contribuições mensais das associadas, bem como pela rentabilidade proveniente da aplicação dos seus recursos. Para mais informações, acesse https://fgc.org.br ou as redes sociais do FGC no LinkedIn, Facebook, X e Instagram.

Por: Poder360

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