O Festival do Queijo Artesanal de Minas chega, neste ano, à sua oitava edição. O evento, que começou nesta quinta-feira (4), em Belo Horizonte, reúne produtores de diversas regiões do estado e acontece paralelamente à Megaleite, a maior exposição da pecuária leiteira da América Latina.
Em 2026, o festival trouxe duas novidades: o Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e o Requeijão Moreno. Singularidades da gastronomia mineira, ambos conquistaram recentemente a regulamentação oficial do Governo de Minas, que permite a comercialização formal e garante a padronização e a segurança sanitária dos produtos.
Estreantes no festival, os produtores Maria Neusa Lopes e Leandro Ferreira dos Santos esperam colher bons frutos com a primeira participação.
Embora a regulamentação tenha sido obtida apenas agora, o modo de preparo é uma tradição antiga. Neusa, produtora do Requeijão Moreno, conta que o produto tem mais de cem anos de história.
De acordo com ela, o segredo está no “amor” e no “cuidado” empregados no modo de fazer. A receita é preparada a partir da massa de queijo fermentada, cozida com creme, o que confere ao produto um tom levemente mais escuro.
Natural do município de Malacacheta, no Vale do Mucuri, Neusa aprendeu a fazer o Requeijão Moreno ainda na infância e o produz ao lado do marido há 28 anos.
Saindo de Malacacheta e indo para São Pedro do Suaçuí, Leandro Ferreira dos Santos é produtor do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí. Em conversa com a Itatiaia, ele explicou que a regulamentação recente trouxe alívio financeiro e também mais segurança. “Produzíamos antes com medo, sem ver valor na nossa produção, com receio de negociar o preço com o comprador”, conta.
Com a exposição no festival e a regulamentação formalizada, o produtor espera ver um crescimento nas vendas. “Espero ver muito mais gente procurando os produtos, especialmente os da Queijaria Vitória”, brinca.
Segundo o gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues, o Festival do Queijo Artesanal de Minas representa um importante potencial gastronômico, econômico e turístico, especialmente para os pequenos produtores e seus municípios.
Em entrevista à Itatiaia, ele explica que a queda no preço do leite dificulta que a matéria-prima seja a única fonte de subsistência. O modo artesanal de produção do queijo deu um novo fôlego financeiro e comercial aos pequenos empresários, que encontraram na tradição e na técnica uma forma de aumentar a rentabilidade. “Aquele queijo que o produtor vendia a R$ 2,50 para as cooperativas, ele vende aqui por um valor que corresponde a R$ 8 por litro de leite”, disse.
A oitava edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas tem entrada gratuita, mediante credenciamento, e segue com programação até sábado (6). O evento acontece no Parque de Exposições da Gameleira e reúne produtores das 14 regiões reconhecidas pela fabricação de queijos artesanais no estado.





