• Sexta-feira, 5 de junho de 2026

Tensão entre Brasil e EUA coloca agronegócio em alerta após proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Investigação comercial norte-americana amplia incertezas para exportadores e abre nova frente de negociação entre os dois países.

O agronegócio brasileiro acompanha com preocupação a escalada da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A recomendação foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após a conclusão de uma investigação baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A medida ainda não foi oficializada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas já provocou forte reação do governo brasileiro e de entidades do setor produtivo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a proposta como injusta e afirmou que o Brasil trabalhará para evitar sua implementação.

Agronegócio está entre os setores mais atentos

Embora diversos produtos agrícolas importantes tenham sido incluídos na lista de exceções divulgada pelos norte-americanos, o setor agropecuário acompanha os desdobramentos com cautela devido ao risco de ampliação das restrições comerciais no futuro.

Entre os produtos que, inicialmente, ficariam fora da tarifa estão:

  • carne bovina;
  • café;
  • frutas;
  • especiarias;
  • petróleo;
  • minérios;
  • peças aeronáuticas.
  • A exclusão desses itens reduziu parte da preocupação imediata dos exportadores, mas entidades do agro alertam que a insegurança comercial pode afetar investimentos e negociações internacionais.

    Pix, etanol e desmatamento aparecem entre críticas dos EUA

    O relatório norte-americano aponta uma série de questões consideradas “práticas comerciais irregulares” pelo governo dos Estados Unidos. Entre os temas citados estão:

  • funcionamento do Pix;
  • comércio digital;
  • tarifas sobre etanol;
  • propriedade intelectual;
  • combate ao desmatamento ilegal;
  • acordos tarifários brasileiros.
  • A inclusão do Pix chamou atenção por envolver um sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central e amplamente utilizado pela população brasileira. O governo brasileiro já afirmou que o sistema não será objeto de negociação comercial.

    Setor produtivo busca evitar escalada do conflito

    Representantes do agronegócio e da indústria têm intensificado conversas com autoridades brasileiras e norte-americanas para evitar uma deterioração das relações comerciais. Setores ligados ao etanol, açúcar, biocombustíveis e pescado estão entre os que mais atuam nas negociações neste momento.

    A avaliação predominante é que uma guerra tarifária teria potencial para prejudicar empresas dos dois países, elevar custos e reduzir a competitividade de diversas cadeias produtivas.

    Tarifas podem atingir produtos industriais

    Segundo estimativas apresentadas durante as discussões, a maior parte do impacto imediato recairia sobre produtos industrializados exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, incluindo máquinas, equipamentos, produtos elétricos e manufaturados.

    O Ministério do Desenvolvimento calcula que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderiam ser afetadas diretamente pela nova tarifa. Algumas consultorias privadas estimam um impacto próximo de 27% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

    Risco de novas sobretaxas preocupa exportadores

    Além da proposta atual, especialistas acompanham outra investigação conduzida pelos Estados Unidos relacionada a trabalho forçado em cadeias produtivas globais. Caso novas medidas sejam adotadas, parte dos produtos brasileiros poderia enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%.

    Esse cenário aumenta a preocupação entre exportadores, especialmente em um momento em que o agronegócio brasileiro registra recordes de produção e busca ampliar sua presença em mercados internacionais.

    Próximos passos

    Antes de qualquer decisão definitiva, o governo norte-americano realizará uma etapa de consultas públicas. Empresas, entidades setoriais e representantes da sociedade poderão apresentar manifestações e sugestões ao USTR. A audiência pública está prevista para julho, e a decisão final deverá ser conhecida até meados do mês.

    Enquanto isso, o governo brasileiro aposta na diplomacia e nas negociações técnicas para evitar a adoção das tarifas. Para o agronegócio, o objetivo é preservar o acesso ao mercado norte-americano e impedir que a disputa comercial afete a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

    Por: Redação

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