As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte ritmo em 2026 e reforçam a expectativa de um cenário mais firme para o mercado pecuário nos próximos meses. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nas três primeiras semanas de maio, o Brasil embarcou 203,48 mil toneladas de carne bovina in natura, entre produtos frescos, congelados e resfriados.
A média diária foi de 13,56 mil toneladas, volume 30,7% superior ao registrado no mesmo período de maio de 2025. O desempenho também elevou as projeções do mercado para o fechamento do mês. Segundo estimativas da Agrifatto, os embarques brasileiros podem se aproximar de 250 mil toneladas em maio, consolidando mais um resultado expressivo para o setor.
Além do avanço no volume exportado, o faturamento externo também disparou. Nos primeiros 15 dias úteis de maio, as vendas renderam US$ 1,322 bilhão, com crescimento de 63,1% na média diária em comparação com o mesmo período do ano passado.
Outro dado que chamou atenção do mercado foi a valorização da proteína brasileira no comércio internacional. O preço médio da tonelada embarcada atingiu US$ 6.492,4, alta de 24,8% frente a maio de 2025.
O movimento ocorre em um momento em que a demanda internacional por carne bovina continua aquecida, especialmente nos Estados Unidos.
Brasil lidera fornecimento de carne bovina aos EUADados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que o Brasil foi o principal fornecedor de carne bovina aos norte-americanos no primeiro trimestre de 2026.
Entre janeiro e março, os EUA importaram 775,2 mil toneladas da proteína, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, o Brasil respondeu por 178,9 mil toneladas embarcadas ao mercado norte-americano.
O avanço das compras dos EUA acontece em meio à redução do rebanho bovino norte-americano, cenário que vem aumentando a necessidade de importação de carne magra utilizada principalmente na produção de hambúrgueres e industrializados.
Segundo o USDA, a expectativa é de continuidade do forte ritmo de importações ao longo de 2026. A projeção anual do departamento aponta compras externas de 2,77 milhões de toneladas de carne bovina pelos Estados Unidos neste ano, aumento de 12% sobre 2025.
Mercado pecuário acompanha impacto nas arrobasO desempenho das exportações brasileiras vem sendo acompanhado de perto pelo mercado do boi gordo, já que a maior demanda internacional ajuda a reduzir a pressão de oferta no mercado interno.
Em importantes praças pecuárias do país, frigoríficos exportadores voltaram a atuar de maneira mais firme nas compras, principalmente diante da necessidade de cumprir contratos internacionais em meio ao avanço dos embarques.
O cenário também fortalece a percepção de que a exportação continuará sendo um dos principais fatores de sustentação da arroba ao longo do segundo semestre.
Abril já havia registrado recorde histórico exportações de carne bovinaO forte desempenho de maio sucede outro resultado importante para o setor. Em abril de 2026, o Brasil registrou novo recorde histórico para o mês nas exportações totais de carne bovina, incluindo produtos in natura, industrializados e miúdos.
No período, os embarques somaram 300,17 mil toneladas, superando os números registrados em abril do ano passado. Somente a carne bovina in natura respondeu por 251,9 mil toneladas exportadas.
O avanço reforça o protagonismo brasileiro no comércio global de proteína animal, em um momento de forte demanda internacional e maior disputa entre os principais compradores globais pela carne bovina produzida no Brasil.
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