• Quinta-feira, 28 de maio de 2026

Vendas de máquinas e equipamentos agrícolas despencam em abril e setor reduz projeções para 2026

Juros elevados, crédito restrito e queda na rentabilidade do produtor travam investimentos em máquinas e equipamentos no campo.

O setor de máquinas e equipamentos agrícolas registrou forte retração em abril e ampliou o sinal de alerta para o agronegócio brasileiro em 2026. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram queda expressiva nas vendas, especialmente no mercado interno, em meio ao cenário de juros elevados, dificuldade de crédito e redução da margem dos produtores rurais.

Segundo a Abimaq, a receita líquida das vendas de máquinas agrícolas caiu 22,2% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, somando R$ 4,2 bilhões. No acumulado de janeiro a abril, o recuo chega a 17,9%, com faturamento de aproximadamente R$ 17 bilhões.

O desempenho negativo levou a entidade a revisar as projeções para 2026. A estimativa anterior apontava leve crescimento nas vendas do setor, mas agora a Abimaq passou a prever retração de 2,3% ao longo do ano.

Crédito caro trava renovação de máquinas

De acordo com representantes da indústria, o principal fator que vem freando os investimentos no campo é o alto custo do crédito rural. Com juros elevados e maior dificuldade de financiamento, produtores têm priorizado despesas de custeio da safra em vez da renovação da frota agrícola.

A Abimaq afirma que atividades ligadas à agricultura e à indústria de transformação foram as mais impactadas pela conjuntura econômica atual. Segundo a entidade, o ambiente de juros elevados segue restritivo para investimentos produtivos.

Além do crédito mais caro, o setor também aponta:

  • aumento da inadimplência rural;
  • queda da rentabilidade em culturas como soja e milho;
  • valorização do real frente ao dólar;
  • custos elevados de produção;
  • incertezas econômicas internacionais.
  • Mercado interno concentra maior retração

    O mercado doméstico foi o principal responsável pela queda nas vendas. Segundo a Abimaq, a receita interna da indústria de máquinas e equipamentos recuou 26,6% em abril, totalizando R$ 13,9 bilhões. O consumo aparente também caiu 20,6%, ficando em R$ 27,8 bilhões.

    Entre os equipamentos agrícolas, as colheitadeiras apresentaram uma das maiores quedas nas vendas, com retração de 33,6%. Já as vendas de tratores recuaram 4,2% no período.

    Segundo especialistas do setor, muitos produtores estão adiando compras e utilizando maquinários por mais tempo para evitar novos financiamentos em um cenário de custos elevados.

    Exportações crescem, mas não compensam perdas

    Apesar do desempenho fraco no mercado interno, as exportações de máquinas e equipamentos apresentaram crescimento em abril. As vendas externas da indústria totalizaram US$ 1,47 bilhão, alta de 42,7% em relação ao mesmo mês de 2025.

    No segmento agrícola, as exportações cresceram 18,8% no mês, alcançando cerca de US$ 160 milhões. Ainda assim, a Abimaq avalia que o avanço externo não foi suficiente para compensar a forte retração das vendas domésticas.

    Segundo a entidade, parte desse crescimento nas exportações ocorreu devido à base fraca de comparação registrada no ano passado, especialmente no mercado norte-americano.

    Setor teme desaceleração prolongada

    Representantes da indústria avaliam que o cenário ainda inspira cautela para os próximos meses. A carteira de pedidos da indústria caiu 4,1% em abril na comparação anual, indicando desaceleração da demanda futura.

    Durante a Agrishow 2026, executivos do setor já haviam demonstrado preocupação com o ritmo das vendas e alertado para uma possível retração de até 8% nas comercializações de máquinas agrícolas ao longo do ano.

    Mesmo com programas de incentivo e anúncios de novas linhas de financiamento, fabricantes afirmam que a recuperação do setor dependerá principalmente de redução nos juros, melhora da renda do produtor rural e maior estabilidade econômica nos próximos meses.

    Por: Redação

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