O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez (PSOE, esquerda), comunicou na 5ª feira (22.jan.2026) que seu país não integrará o Conselho da Paz, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). O líder espanhol justificou a recusa com base em seu compromisso com o multilateralismo e o sistema da ONU (Organização das Nações Unidas).
“Agradecemos o convite, mas declinamos”, declarou Sánchez a repórteres após a cúpula da UE (União Europeia) em Bruxelas, segundo o jornal El País.
“Fazemos isso por coerência”, afirmou o primeiro-ministro, afirmando ter muitas dúvidas de que o organismo que Trump quer construir respeite “a ordem multilateral” e as normas das Nações Unidas.
“Além disso, não incluiu a Autoridade Palestina”, acrescentou. Para Sánchez, há uma contradição no fato de esse Conselho ter como missão primordial pacificar a Faixa de Gaza e não ter convidado o governo liderado por Mahmud Abbas.
Na 5ª feira (22.jan), Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz, para o qual convidou dezenas de líderes de países em todo o mundo. Quando aprovado em novembro pelo Conselho de Segurança da ONU, o órgão tinha sua atuação restrita ao plano para encerrar o conflito na Faixa de Gaza.
Porém, ao longo das últimas semanas, ficou claro que Gaza refere-se a uma pequena parte dos objetivos do novo organismo. O Conselho da Paz busca assumir o papel de polícia do mundo e pretende envolver-se em conflitos em geral –ofuscando o papel da própria ONU. Até o emblema do Conselho da Paz foi comparado ao das Nações Unidas.
De acordo com Washington, o Conselho da Paz terá como funções intermediar e monitorar cessar-fogos, organizar arranjos de segurança e coordenar a reconstrução em áreas pós-conflito.
A cerimônia de lançamento do Conselho em Davos foi caracterizada pela ausência de aliados tradicionais dos EUA. Canadá, Reino Unido e a maioria dos países da UE não participaram do evento. Apenas Hungria e Bulgária representaram o bloco europeu na ocasião.
Trump anunciou a criação do Conselho da Paz em 15 de janeiro de 2026. Embora a medida seja parte de um plano para acabar com os conflitos na Faixa de Gaza, o norte-americano já sinalizou que o órgão não será temporário. Afirmou em 20 de janeiro de 2026 que o grupo poderia assumir o papel que hoje pertence à ONU.
Trump é a única autoridade com poder de veto no Conselho da Paz. Há apenas duas menções a “veto” no documento de criação do órgão:
Não há um prazo para o republicano deixar o comando do conselho.
O mandato de Trump é praticamente vitalício. O presidente do Conselho da Paz pode indicar um sucessor e só deixa o cargo se decidir renunciar voluntariamente ou em caso de incapacidade –nesse cenário, a votação do Conselho Executivo precisa ser unânime, ou seja, todos os integrantes precisam votar a favor de remover o republicano.
Autoridades de 18 países estavam com Trump no lançamento do conselho.
Eis os nomes:
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