O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “continua sendo o líder da direita”, mesmo após a condenação e a prisão. Eduardo disse que não tem detalhes sobre as regras de visita ao pai, mas avaliou que a situação atual mistura aspectos pessoais e políticos.
“É claro que vão falar de política”, declarou ao jornal Folha de S.Paulo. “A vida privada e pública dele se confundem”, acrescentou.
O ex-deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e participa nesta semana do CPAC, considerado o principal fórum internacional do conservadorismo. No evento, ele voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a decisão judicial que levou à prisão do ex-presidente. “[O Moraes] já conseguiu o tempo de vida de Bolsonaro com esse estresse todo que ele levou em uma condenação surreal e uma prisão ainda mais desnecessária”, afirmou à Folha.
Eduardo voltou ainda a defender a aplicação de sanções contra Moraes, com base na Lei Magnitsky. “Ela pode retornar. Assim como ela saiu pela vontade do presidente, basta o presidente [Donald] Trump (Partido Republicano) querer que ela pode voltar”, disse. Ele disse que tem pedido a retomada da medida em interlocuções internacionais.
Ao comentar o cenário eleitoral, Eduardo evitou indicar quem deveria ocupar a vice na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Depende mais do entorno dele, do Rogério Marinho [coordenador da campanha do PL]. A minha parte é internacional”, declarou.
Apesar de Flávio já ter dito que poderia nomeá-lo chanceler em um eventual governo, Eduardo afirmou que ainda é cedo para tratar do tema. Disse que “recebe com alegria” a possibilidade, porém, ponderou: “Mas não tem nada certo”. Sobre a equipe econômica, citou a relação de Flávio com o ex-ministro Paulo Guedes, mas evitou antecipar qualquer decisão. “Não sei o apetite para retornar à vida pública”, disse.
Em relação à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Eduardo minimizou eventuais divergências com Flávio. “Se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, eles têm que sentar para conversar e se entender”, disse.
O ex-deputado também comentou possíveis adversários. Disse que vê o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como um nome da direita, mas criticou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). “Não considero o Eduardo Leite direita. Ele é um social-democrata, que é um nome bonitinho para socialista, que é igual ao comunista”, afirmou.
Eduardo também comentou a atual relação entre Brasil e Estados Unidos. Sobre a possibilidade de encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, disse que se trata de “uma relação entre os 2 países”. Ao mesmo tempo, criticou Lula. “Está tentando provocar o Trump para iniciar o conflito e depois tentar aumentar o seu capital político”, afirmou.





