Dólar cai com redução da pena de Bolsonaro, inflação e “superquarta”
Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,26%, cotado a R$ 5,435. Ibovespa fechou o pregão em queda de 0,13%, aos 157,9 mil pontos
O operava em baixa na manhã desta quarta-feira (10/12), dia movimentado na agenda econômica, com o foco das atenções do mercado financeiro voltado para as decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos .
No âmbito doméstico, os investidores também repercutem os dados oficiais de referentes ao mês de novembro, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na política, o destaque é a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente (PL) e dos condenados por crimes envolvendo a trama golpista e os atos de 8 de janeiro de 2023.
Dólar
Às 9h03, a moeda norte-americana recuava 0,21% e era negociada a R$ 5,424.
Na véspera, .
Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,87% no mês e perdas de 12,05% no ano frente ao real.
Ibovespa
As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (), começam às 18 horas.
No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,13%, aos 157,9 mil pontos, praticamente estável.
Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 0,69% em dezembro e valorização de 31,34% em 2025.
PL da Dosimetria aprovado na Câmara
, que recalcula e reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado e pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
e pode ter a pena em regime fechado reduzida para até 2 anos e 4 meses, de acordo com o relator do projeto, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
A votação foi aberta à 1h38 da madrugada. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o resultado da votação às 2h25: 291 votos a favor e 148 contrários.
Agora, o projeto será analisado pelo Senado Federal. .
A aprovação do Projeto de Lei nº 2.162/23 é uma meia vitória para a oposição bolsonarista, que orientou voto a favor da proposta, mas que até então tentava articular uma anistia “ampla e irrestrita” para Bolsonaro e os demais condenados.
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Com a falta de apoio ao tema, a oposição recuou e passou a aceitar debater um projeto que apenas reduz as penalidades aplicadas contra os condenados. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado como candidato do pai à disputa das eleições presidenciais de 2026, chegou a colocar a própria candidatura como moeda de troca para o texto ser aprovado.
Em setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, por liderar a trama golpista. O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 22 de novembro. Com a aprovação do projeto de lei, a expectativa é que o ex-presidente fique detido por menos tempo.
Os parlamentares governistas tentaram retirar da pauta a votação do projeto – no entanto, o requerimento foi rejeitado por 294 votos contra 146. Depois, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), apresentou requerimento para adiar a votação, que também foi rejeitado.
O PL da Dosimetria altera as regras de progressão de regime, mecanismo que permite ao condenado com bom comportamento passar para os regimes semiaberto ou aberto. A nova legislação prevê que a progressão ocorra após o cumprimento de um sexto da pena, e não mais de um quarto. A mudança não se aplica a casos como crimes hediondos ou réus reincidentes.
O substitutivo propõe ainda acabar com a soma de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, como a tentativa de golpe de Estado e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o que beneficiaria Bolsonaro diretamente.
Inflação no Brasil
Na agenda econômica nacional, o principal destaque do dia é a divulgação dos dados oficiais de inflação. Segundo o , o IPCA de novembro foi 0,18%, acima da taxa de 0,09% de outubro.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%, abaixo dos 4,68% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%.
Em novembro deste ano, cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram variação positiva. Despesas pessoais (0,77%) e habitação (0,52%) apresentaram as maiores variações e o maior impacto (0,08 ponto percentual cada), seguidos por vestuário (0,49%), transportes (0,22%) e educação (0,01%).
De acordo com o IBGE, os demais grupos ficaram no campo negativo: artigos de residência (-1%), comunicação (-0,2%), saúde e cuidados pessoais (-0,04%) e alimentação e bebidas (-0,01%).
O resultado do IPCA veio ligeiramente abaixo da média das estimativas do mercado, que giravam em torno de 0,2% (na base mensal) e 4,49% (anual).
“Superquarta” dos juros no Brasil e nos EUA
O mercado financeiro continua em compasso de espera pela decisão dos bancos centrais do Brasil e dos EUA sobre a taxa de juros. .
É o caso desta quarta-feira, data na qual tanto o Comitê de Política Monetária (Copom), do , quanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do (Fed, o BC dos EUA), anunciam o resultado de suas reuniões, que começaram na terça-feira (9/12).
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
No Brasil, – trata-se da mais elevada taxa de juros em quase duas décadas no país.
O foco das atenções ficará voltado para o teor do comunicado do Copom, que pode indicar “pistas” sobre as próximas reuniões. Há grande expectativa em torno do corte de juros a partir do ano que vem, e a dúvida é quando isso ocorrerá, se em janeiro ou apenas em março.
Segundo Pedro Cutulo, estrategista da One Wealth Management, “estamos próximos do início de um novo ciclo de cortes na taxa de juros”. “Contudo, a prudência sugere que o Copom aguarde a consolidação desse quadro até a reunião de março, para, então, reduzir a Selic em 50 pontos-base. Essa postura seria coerente com a sinalização recente do comitê, que tem enfatizado a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado”, observa.
“Embora nosso cenário-base seja de início do ciclo em março, reconhecemos uma probabilidade não desprezível de que o primeiro corte ocorra já na reunião de janeiro. Porém, nesse caso, estimamos que a redução seria mais modesta, de apenas 25 pontos-base”, projeta Cutulo.
Nos EUA, atualmente, (após redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Fed), e a maioria dos analistas do mercado aposta em mais um corte de juros em 2025.
, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros dos EUA é de 89,9%. Por outro lado, 10,1% dos investidores apostam na manutenção do patamar atual.
Por: Metrópoles





