Dólar abre em queda com Galípolo no Senado e inflação e juros nos EUA
Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,11%, cotado a R$ 5,395. Ibovespa fechou em alta de 0,33%, aos 155,2 mil pontos
O operava em baixa na manhã desta terça-feira (25/11), em um dia de agenda de indicadores mais esvaziada e no qual os investidores voltam suas atenções a Brasília, onde o presidente do (BC), , participa de audiência no Senado.
No front internacional, o mercado segue em busca de “pistas” sobre a trajetória da taxa básica de juros nos . Nos últimos dias, cresceram as apostas de que o (Fed, o BC norte-americano) fará mais um corte de 0,25 ponto percentual em sua próxima reunião, nos dias 9 e 10 de dezembro.
Ainda nos EUA, o dia tem uma série de divulgações de dados importantes, como os preços ao produtor, as vendas do varejo e o índice de confiança do consumidor.
Dólar
Às 9h08, a moeda norte-americana recuava 0,23% e era negociada a R$ 5,383.
Na véspera, .
Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,28% no mês e perdas de 12,7% frente ao real no ano.
Ibovespa
As negociações do , principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (), começam às 10 horas.
No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,33%, aos 155,2 mil pontos.
Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 3,84% em novembro e de 29,09% em 2025.
Galípolo no Senado
No cenário doméstico, o destaque desta terça-feira é , em Brasília. Além dele, também participa da reunião o presidente da Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi.
O tema do encontro será o acordo do BC com o ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto para encerrar processo administrativo e o uso das chamadas “contas ônibus” pelas fintechs.
Ambos foram convidados por meio de requerimentos do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que preside a CAE. No primeiro, Renan pede que Galípolo detalhe o acordo firmado entre o BC e Campos Neto, que permitiu o encerramento de um processo administrativo, aberto quando ele ainda presidia a instituição. O processo investigava falhas no acompanhamento de operações de câmbio feitas quando Campos Neto era executivo do setor financeiro. Pelo acordo, ele pagou o valor de R$ 300 mil ao BC e o caso foi considerado encerrado.
O segundo requerimento trata das “contas ônibus”, mecanismo usado por algumas fintechs que concentram movimentações de vários clientes em uma única conta, mantida em um banco parceiro. O senador quer entender como esse sistema funciona, quais são os riscos e de que forma o Coaf acompanha esse tipo de operação para evitar usos irregulares.
Na segunda-feira (24/11), Galípolo esteve em São Paulo e participou do Almoço Anual dos Dirigentes de Bancos promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo. Na ocasião, diante de pressões ou eventual descontentamento por causa do rumo da taxa básica de juros da economia brasileira.
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“O BC, ao longo deste ano, diferentemente de outros casos, foi muito desafiado naquilo que é o seu mandato central. Se o BC fizer um bom trabalho, ele geralmente vai ser criticado pelo dois extremos, pelas duas posições”, disse o chefe da autoridade monetária.
Segundo o presidente do BC, apesar de eventuais críticas, “a política monetária está funcionando”. “É importante que o BC não se emocione e não seja uma instituição preocupada em fazer movimentos em termos de mídia ou mobilização, mas em cumprir aquilo que é o seu mandato”, disse Galípolo.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, no início do mês, . O Brasil tem a quarta maior taxa nominal de juros do mundo (a taxa nominal descontada a inflação). O mercado .
Praticamente uma semana depois da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada no último dia 18 pelo BC, .
Galípolo também elogiou a atuação do Ministério Público, da Polícia Federal (PF) e do Poder Judiciário e afirmou que processos como este, envolvendo bancos e instituições financeiras, podem ocorrer em qualquer parte do mundo.
“Durante este ano, tivemos desafios no tema da estabilidade financeira. E, também nesse tema, o BC seguiu o gabarito e cumpriu exatamente o que é a norma e o regimento legal”, afirmou Galípolo, sem mencionar expressamente o Master, ao ser indagado sobre o caso. “A obra de supervisão nunca está completa. O trabalho do BC nunca tem um ponto de chegada, é um movimento contínuo”, prosseguiu.
“Temos de agradecer pelo trabalho de cooperação e colaboração do Ministério Público e da PF, da maneira que a lei prevê, como foi identificado e notificado pelo BC a essas autoridades. O Ministério Público, a PF e o Judiciário cumprindo todo o rito legal. É muito gratificante estar dentro do Estado e ver as instituições de Estado funcionarem da maneira que eles devem funcionar”, completou Galípolo.
Segundo o presidente do BC, “esses são processos que sempre vão estar ocorrendo”. “Bancos são instituições falíveis. Acontece nos EUA, acontece na Suíça… isso acontece. O importante é a gente sempre aprender e inovar para não cairmos na repetição de problemas que aconteceram no passado”, concluiu.
Juros nos EUA
Nos últimos dias, o mercado ficou mais otimista sobre um possível novo corte dos juros na próxima reunião do Fed, em dezembro.
Na última sexta-feira (21/11), o presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que os juros nos EUA podem cair sem que se coloque em risco a meta de inflação definida pela autoridade monetária. Williams é membro permanente do Fed e vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que define a taxa de juros.
A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que a política monetária norte-americana está adequada neste momento. Já a chefe do Fed de Dallas, Lorie Logan, defendeu a manutenção dos juros no atual patamar “por algum tempo”.
, depois de dois cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros, a última do ano, está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.
De acordo com a ferramenta , do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros por parte do Fed no próximo mês estava em 19,3% no início da manhã. Por outro lado, 80,7% dos investidores apostavam em uma nova redução de 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “a expectativa renovada de corte de juros já na reunião de dezembro” do Fed vem reduzindo “a pressão da divisa a nível global medida pelo índice DXY”, que mede o desempenho do dólar norte-americano frente a uma cesta de moedas estrangeiras.
No pregão da véspera, “o clima positivo foi reforçado pela alta das commodities, com avanço do minério de ferro e do petróleo, ampliando o suporte para divisas de países exportadores de matérias-primas”. “No lado doméstico, o recuo das projeções de IPCA e Selic para 2026 também contribuiu para melhorar o humor, ao transmitir uma percepção mais favorável sobre a ancoragem das expectativas de inflação”, afirmou Shahini.
Por: Metrópoles





