• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Do Sertão para o mundo: mel do Norte de Minas já soma 350 toneladas exportadas

Somente nos primeiros meses de 2026, os apicultores locais já celebram o embarque de 42 toneladas para destinos exigentes como Suíça, Bélgica e Kuwait

O mel produzido pela agricultura familiar no Norte de Minas Gerais consolidou sua posição como um item sustentabilidade no cenário global. Nos últimos cinco anos, a região atingiu a marca de 350 toneladas exportadas, levando o sabor único da transição entre Cerrado e Caatinga para mesas na União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio.

Somente nos primeiros meses de 2026, os apicultores locais já celebram o embarque de 42 toneladas para destinos exigentes como Suíça, Bélgica e Kuwait. O movimento é coordenado pela Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que completa dez anos de atuação como o elo estratégico entre o pequeno produtor de Bocaiuva e o mercado internacional.

O sucesso do mel mineiro no exterior não é por acaso. O perfil sensorial do produto, extraído de floradas nativas de café, abacate, aroeira e eucalipto, conquistou o paladar europeu e árabe. Além do sabor, o modo de produção artesanal e sustentável atende à crescente demanda por produtos com origem rastreada e propriedades funcionais.

"A certificação não aumenta vendas sozinha, mas traz a credibilidade necessária para acessar mercados seletivos", explicou Walmath Magalhães, analista do Sebrae Minas.

Para garantir essa competitividade, o Sebrae Minas atua desde 2016 na qualificação dos apiários. Atualmente, o foco está na obtenção de selos rigorosos, como o Naturland e o Bio Suisse, que atestam os mais altos padrões de agricultura orgânica na Europa.

A internacionalização mudou a vida de produtores como Gilson Gonçalves Ferreira, de 49 anos. Em sete anos, sua produção saltou de 100 quilos para 1,5 tonelada a cada semestre. Com a ajuda dos filhos em sua propriedade na zona rural de Bocaiuva, Gilson exemplifica como a organização em cooperativa profissionalizou a atividade.

"A entrada na cooperativa abriu portas. Ela garante que o mel chegue ao consumidor final com qualidade", destacou o apicultor, que vê seu negócio crescer, em média, 10% ao ano.

Apesar dos números robustos, o setor ainda enfrenta gargalos. Luciano Fernandes, presidente da Coopemapi, aponta que o equilíbrio entre o mercado interno e externo é fundamental, mas exige gestão de fluxo de caixa e resiliência contra quebras de safra causadas por fatores climáticos.

Atualmente, o mel brasileiro é exportado predominantemente a granel para ser embalado com marcas estrangeiras, mas o setor já traçou planos para mudar essa realidade ao focar na exportação do mel processado, levando a identidade visual da agricultura familiar brasileira diretamente ao consumidor final.

Paralelamente a esse valor agregado, a estratégia de expansão internacional ganha força com novas missões técnicas previstas para a Inglaterra e o Norte da Alemanha em setembro de 2026.

Além do mercado externo, há um esforço para educar o consumidor interno e fortalecer as vendas no Brasil, onde o consumo médio anual ainda é muito inferior aos níveis europeus, variando de 60g a 240g por pessoa, enquanto na Europa esse índice pode chegar a 1,2 kg.

Com consultorias tecnológicas e foco em boas práticas de manejo, a apicultura do Norte de Minas deixa de ser uma atividade de subsistência para se tornar um pilar de desenvolvimento econômico sustentável e reconhecimento internacional.

Por: ITATIAIA

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