• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Preço do leite sobe 10,5% em março com oferta restrita no campo

Menor produção intensifica disputa entre laticínios, enquanto custos seguem em alta e consumo dá sinais de limite

O preço do leite pago ao produtor registrou alta de 10,5% em março de 2026, a terceira consecutiva, impulsionada pela menor oferta, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A “Média Brasil” avançou para R$ 2,3924 por litro.

Apesar da recuperação, o valor ainda está 18,7% abaixo do registrado em março de 2025, em termos reais. No acumulado do primeiro trimestre, a alta chega a 17,6%, com média de R$ 2,2038 por litro, ainda 23,6% inferior à do mesmo período do ano passado.

De acordo com o Cepea, o avanço dos preços está ligado à maior competição entre laticínios pela compra do leite cru, em um cenário de oferta restrita. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,9% de fevereiro para março na “Média Brasil” e acumula queda de 11,1% no primeiro trimestre.

A menor produção é explicada pela sazonalidade, que reduz a oferta de pastagens e eleva os custos com alimentação animal, além da cautela dos produtores diante de margens mais apertadas em 2025. Os custos seguem em alta. Em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46%, acumulando avanço de 2,11% no trimestre.

Com menos leite disponível, a produção de derivados também foi limitada, o que sustentou a alta dos preços. Segundo levantamento do Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), o leite UHT subiu 18,3% e a muçarela, 6,1% de fevereiro para março. Os preços continuaram em alta até a primeira quinzena de abril, mas perderam força na sequência, com negociações mais travadas.

No comércio exterior, as importações cresceram 33% em março. No acumulado do primeiro trimestre, o volume somou 604 milhões de litros em equivalente leite, praticamente estável, apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de continuidade da valorização em abril, mas com menor intensidade a partir de maio. O consumo mais sensível aos preços e a possibilidade de recuperação da produção, além das importações elevadas, devem aumentar a cautela da indústria na definição de novos reajustes ao produtor.

Por: ITATIAIA

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