Projeto
Diferentemente das abordagens tradicionais, a série "segue o dinheiro" para identificar quem foram os beneficiários do projeto econômico implantado sem debate com a sociedade. O podcast também mostra como uma iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) e de pesquisadores acadêmicos tem criado um caminho para buscar responsabilização e preservar memória a respeito das violações de direitos humanos no período. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp O ponto de partida da temporada revela uma face pouco conhecida da diplomacia europeia. Documentos inéditos mostram que a Suíça, apesar da histórica imagem de neutralidade, foi um dos maiores investidores no Brasil durante a ditadura - ou o maior, considerando o valor per capita em relação à população suíça. A investigação detalha como empresários suíços admiravam a "paz social" do regime — com arrocho salarial e proibição de greves. O episódio de estreia descortina uma trama que vai do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, em 1970, aos interesses dos credores suíços em manter o regime de exceção no Brasil. No segundo episódio, a série avança sobre o papel de empresas multinacionais e o elo dessas corporações com o executivo Osvaldo Ballarin. O empresário era uma espécie de embaixador do capital estrangeiro junto aos militares. A investigação segue indícios de contratos de obras superfaturadas e a engrenagem de endividamento externo, como a construção da Hidrelétrica de Itaipu. Também mostra a proximidade de altos executivos com a arrecadação de recursos para a Operação Bandeirantes (OBAN), que era o centro de tortura do regime ditatorial em São Paulo. O podcast também vai revelar como a ditadura moldou o cenário atual da educação brasileira. O caso da escola que cresceu vertiginosamente após contratos privilegiados em Foz do Iguaçu serve de exemplo para explicar a política estatal de estímulo ao ensino privado em detrimento do público. Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa histórica é a linha direta entre a elite escravocrata do século XIX e os financiadores da ditadura no século XX.Responsabilização
A série encerra discutindo o futuro da justiça de transição no Brasil. Como a Lei da Anistia protege apenas pessoas físicas, a estratégia do MPF foca, agora, nas pessoas jurídicas. O objetivo é que empresas que colaboraram com o regime sejam responsabilizadas civilmente. Serviço: 🎙️ Podcast: Perdas e Danos (2ª Temporada - "Passado Leiloado") 🗓️ Periodicidade: Sempre as quartas-feiras 🎧 Onde ouvir: Na Radioagência Nacional e nas principais plataformas de áudio. >> Confira nas redes sociaisRelacionadas
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