• Quinta-feira, 3 de abril de 2025

“Dia da Libertação”: entenda o tarifaço que Trump quer impor

Presidente dos EUA disse que esta quarta-feira (2/4) será o "Dia da Libertação", quando ele anunciará novas tarifas para os países do mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu para diversos países do mundo nesta quarta-feira (2/4), no que ele . “Este é o começo do Dia da Libertação na América. Vamos cobrar dos países por fazerem negócios em nosso país e tirar nossos empregos, tirar nossa riqueza, tirar muitas coisas que eles vêm tirando ao longo dos anos. Eles tiraram muito do nosso país, amigos e inimigos. E, francamente, amigos têm sido muitas vezes muito piores do que inimigos”, disse Trump. O que está acontecendo O presidente dos EUA já impôs uma tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio brasileiros; Donald Trump prometeu impor mais tarifas aos produtos do Brasil e de outros países nesta quarta-feira (2/4); O governo dos Estados Unidos, no relatório anual sobre barreiras comerciais divulgado nessa segunda-feira (31/3), incluiu o Brasil como um dos países que aplicam políticas protecionistas que prejudicariam exportadores estadunidenses. Como resposta, o Senado Federal aprovou, nessa terça-feira (1º/4), o Projeto de Lei (PL) nº 2088/23, que ficou conhecido como PL da Reciprocidade Econômica. A Câmara pode apreciar o projeto já nesta quarta. Para entender o que está por trás da estratégia de Trump e os impactos aos EUA e ao mundo, o Metrópoles conversou com o especialista em relações internacionais Emanuel Assis Aleixo de Franco. “Esse tarifaço que o Trump vem promovendo é muito bem pensado e estratégico. De fato é uma estratégia de negociar a estratégia que já existe e é aplicada há bastante tempo, muito antes do Trump assumir o primeiro ou segundo mandato”, destaca o especialista. Segundo Emanuel, “um país que tem essa influência e impõe esse tipo de tarifa, que normalmente são tarifas altas e que impactam diretamente a economia do país que está sendo taxado de maneira imediata, consegue angariar um certo tipo de poder de barganha para sentar e negociar os interesses econômicos da sua agenda de governo”. O presidente deu o nome do dia do tarifaço de “Dia da Libertação” sob o argumento de que “vamos tirar muitas coisas que eles vêm nos tirando ao longo dos anos” em uma referência direta ao seu slogan “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente). “Trump trouxe como slogan da campanha desde 2016, o Make America Great Again, e em nome dele, a estratégia é elevar a taxação de certos produtos de certos mercados nos Estados Unidos para igualar, de alguma maneira, os preços com os produtos americanos, fortalecendo o poder competitivo dessas indústrias estadunidenses que é o que ele vem tentando fazer, fortalecer a indústria norte-americana”, explica Emanuel. Impacto nos EUA Apesar da ideia do republicano ser reforçar a economia dos EUA, O aumento nos preços acontece após um período de otimismo pós-eleição. As pesquisas que avaliam o sentimento do consumidor já começam a mostrar que a população dos Estados Unidos sente-se pior em relação a suas finanças e à inflação do que há alguns meses. De acordo com o especialista “as taxas sobre os produtos importados já vão aumentar o preço de muitos produtos nos Estados Unidos. Então, as famílias já vão começar a sentir o impacto no dia a dia com o aumento dos produtos. É especulado que uma família passe a ter que gastar cerca de mil dólares a mais por mês, só devido ao aumento dos produtos, devido a essas taxações”. Mudança do cenário internacional Trump, quando impõe as tarifas, aposta que o cenário internacional ainda seja o mesmo de anos atrás, em que os EUA eram os maiores parceiros comerciais do mundo, mas, como destaca o especialista, a China vem ocupando esse espaço. “Falando primeiramente do comércio internacional, o que a gente tem observado é o contrário do que se imaginava, que seriam os países tentando negociar de alguma maneira com os Estados Unidos para que ele conseguisse aproveitar de alguma forma desse cenário para conseguir acordar. Canadá, México, União Europeia e a China já anunciaram tarifas altíssimas para os produtos vendidos dos Estados Unidos, de fato entraram nessa guerra comercial com mais coragem do que se imaginava que eles entrariam”, diz Emanuel. Segundo o internacionalista o “que a gente pode observar no próximo período é a China ocupando ainda mais espaço nas parcerias comerciais com esses países que estão sendo taxados, principalmente a União Europeia, Brasil. Então, pode ser que a gente esteja observando o início de uma nova reconfiguração no mercado internacional, na balança comercial global. e México podem ser uma novidade nessa transição, uma vez que são ainda dos poucos países no mundo que tem os Estados Unidos como maior parceiro comercial”. “Uma série de impactos econômicos diretos e a curto prazo, mas longo prazo a gente pode ver um aceleramento da perda de espaço comercial para a China. E os impactos disso podem ser ainda maiores para a economia nos Estados Unidos e para o mercado internacional, devido a essa reconfiguração de mudar o eixo de investimentos nos próximos anos”, destaca Emanuel Assis.
Por: Metrópoles

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