• Segunda-feira, 23 de março de 2026

De olho no mercado externo, governo lança catálogo de defesa

Material reúne 364 produtos de 154 empresas e será usado para promover exportações; setor cresceu mais de 110% em 2 anos.

O governo federal lançou nesta 2ª feira (23.mar.2026), em Brasília, o Catálogo de Produtos da BID (Base Industrial de Defesa). Trata-se de um material que reúne portfólio de 154 empresas nacionais de diferentes portes, incluindo as gigantes Embraer, Taurus e Condor. 

Ao todo, foram listados 364 produtos. Incluem embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos (sistemas eletrônicos de aeronaves), mísseis e sistemas de monitoramento. “Em um mundo cada vez mais armado [...], a Defesa nacional não pode ser vista como simples estrutura coadjuvante”, afirmou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. 

“Desenvolver a indústria de defesa é promover a soberania. Representa termos capacidade de manter a estrutura nacional de defesa com autonomia, livre de ingerências externas”.

A indústria de defesa brasileira registrou uma evolução notável e recordes sucessivos nas autorizações de exportação de 2023 a 2025. O setor cresceu mais de 110% em 2 anos, saindo de um patamar anterior de US$ 600 milhões para atingir um recorde de US$ 3,4 bilhões em autorizações no ano de 2025, segundo dados citados no evento.

“Uma indústria de defesa forte é um seguro de vida para a nação e um motor para a Nova Indústria Brasil“, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB). Ele se refere à política industrial lançada pelo governo em janeiro de 2024, centrada em industrialização, sustentabilidade e transformação digital do país. 

A publicação está organizada por áreas temáticas: plataformas aéreas, terrestres, navais, cibernética e tecnologia. Cada empresa tem QR code próprio. Existe em versão impressa –português e inglês– e digital. Será distribuído em feiras internacionais, embaixadas e feiras de defesa.

O projeto, que contou com a colaboração de diversos ministérios e instituições, como a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), é visto como “uma vitrine estratégica da capacidade de defesa nacional”, segundo o secretário de Produtos de Defesa, brigadeiro Heraldo Luíz Rodrigues. De acordo com ele, o material é um instrumento de abertura de mercados. 

Agradeceu a uma lista de parceiros: 

Segundo o governo, o Brasil tem 80 empresas exportadoras que comercializam seus produtos com 147 países. O setor responde por 3,49% do PIB (Produto Interno Bruto) e 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos.

Os dados não foram auditados publicamente. “Autorizações de exportação” não equivalem a contratos fechados nem a receita efetivamente recebida. Nenhum orador fez a distinção.

Uma portaria assinada em 12 de março de 2026 regulamentou a atuação da Seprod (Secretaria de Produtos de Defesa) em vendas governo a governo –mecanismo que permite negociações diretas entre Estados sem licitação. O brigadeiro Heraldo apresentou a medida como avanço, mas não citou mecanismo de controle ou limite.

A ministra Esther Dweck (Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) conectou o catálogo à Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, decreto assinado por Lula em dezembro de 2025. Disse que o presidente pediu que compras governamentais fossem usadas como instrumento de desenvolvimento e que defesa e saúde foram os setores priorizados.

Dweck usou a expressão “adquirir em condições especiais” ao se referir ao que o Estado poderá comprar a partir do catálogo. Não explicou o que isso significa na prática nem quais salvaguardas existem contra sobrepreço ou direcionamento.

“O catálogo hoje apresentado vai muito além de um instrumento informativo. É uma política de Estado, ele dá visibilidade, previsibilidade e segurança jurídica para que o governo possa adquirir, em condições especiais, um conjunto de soluções brasileiras essenciais para defesa e soberania”, declarou.

Eis os presentes no evento desta 2ª feira em Brasília (23.mar):

Por: Poder360

Artigos Relacionados: