O “pacote de bondades” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê injetar cerca de R$ 227 bilhões na economia em 2026, ano em que o petista vai tentar a reeleição ao Palácio do Planalto.
Os dados foram levantados pelo CNN Money e contemplam anúncios, reforços orçamentários a programas já existentes e subsídios.
O governo tem mirado em diferentes frentes a poucos meses da eleição. Com a queda de popularidade de Lula, o Palácio do Planalto já anunciou um novo programa de renegociação de dívidas, um pacote bilionário para segurança pública e uma série de medidas para mitigar a alta do preço dos combustíveis.
Porém, parte das ações são neutras do ponto de vista fiscal, segundo o governo. Isso significa que não haverá ganho nem queda de arrecadação federal.
É o caso da isenção do Imposto de Renda – que será compensada com a criação de um imposto mínimo para super-ricos – e do pacote de ações para mitigar a alta dos combustíveis, que será compensado com o aumento da arrecadação da União com royalties e outras receitas de petróleo.
O especialista em contas públicas Murilo Viana pondera que o pacote de bondades envolve uma complexidade de fatores econômicos, uma vez que parte das medidas são neutras, enquanto outra fatia envolve reciclagem de dívidas - pessoas e empresas trocando dívidas mais caras por mais baratas.
Nesse contexto, Viana destaca que essas ações vêm sendo implementadas pelo Palácio do Planalto em meio à uma situação fiscal desafiadora. Neste ano, a equipe econômica projeta um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a R$ 34,3 bilhões.
Tal cenário fiscal exige uma agenda de revisão estrutural dos gastos, segundo especialista em contas públicas. Por isso, quando o governo vai na contramão disso, gera incertezas para a economia.
"Do ponto de vista político, quanto mais acirrado for a disputa presidencial, isso gera um estímulo para aquele que está no comando da máquina pública adote um canhão para tentar se reeleger", disse.
Com mais dinheiro em circulação, o poder de compra da população aumenta, o que pode causar uma pressão inflacionária, explica o colunista do CNN Money Gilvan Bueno. Para conter o aumento da inflação e colocá-la dentro da meta, o Banco Central calibra a taxa básica de juros.
“Se vai ter muito dinheiro na economia, vai ter uma pressão inflacionária muito significativa. Por isso, o BC não consegue descer os juros em um patamar mais rápido. Se ele [autoridade monetária] soltar os juros com esse nível de dinheiro em circulação, pode haver uma explosão inflacionária”, diz Bueno.
Para o especialista, o impulso na economia precisa ser acompanhado de um plano de longo prazo, de modo a assegurar o crescimento sustentável do Brasil.
Como o governo federal gasta mais do que arrecada, o Tesouro Nacional emite títulos para refinanciar a sua dívida, que está atrelada à Selic. Por essa razão, quando os juros estão altos, o custo da dívida aumenta para a União.
Dados mais recentes do Banco Central mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral já alcança 80,1% do PIB.





