• Quinta-feira, 28 de maio de 2026

Da 'cozinha de vó' aos laboratórios: genética e bioinsumos ditam o futuro do feijão no Brasil

Pesquisadores e produtores debatem no 14º Conafe como o melhoramento genético e os bioinsumos podem combater pragas e reverter a queda no consumo do grão

Aliar a tradição do prato mais brasileiro de todos à alta tecnologia de laboratório. Este é o principal ecossistema de debates do 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), que acontece até sexta-feira (29) na capital mineira. O evento, organizado pela Epamig com o apoio da Embrapa Arroz e Feijão, reúne cientistas e produtores para discutir como a ciência pode blindar as lavouras contra pragas e, ao mesmo tempo, garantir um produto de alta qualidade para o consumidor.

Um dos grandes gargalos debatidos no evento é a mosca-branca, inseto vetor que transmite vírus devastadores para a cultura, como o mosaico dourado. Como o feijoeiro pode ser plantado em até três safras ao longo do ano por não ser sensível ao comprimento do dia, a comunidade científica alerta para o risco de o próprio produtor criar "pontes verdes" — lavouras contínuas que mantêm a praga viva no campo.

Para solucionar esse e outros problemas sem inflacionar os custos do produtor, a grande aposta da pesquisa nacional está no desenvolvimento de sementes melhoradas e no uso de bioinsumos.

"O feijão é um cultivo que a gente chama de a hortaliça dos grãos, porque ele demanda um pouco mais de cuidados, de atenção. Não é tão simples produzir feijão quanto outras culturas. Mas nós estamos aqui justamente para discutir soluções, como o uso de bioinsumos e o foco na fixação biológica de nitrogênio, para torná-lo uma cultura mais competitiva e que demande menos insumos", explicou Fabio Aurélio Dias Martins, pesquisador da Epamig e coordenador geral do Conafe 2026.

O esforço para modernizar a produção e reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados — cujos preços dispararam devido a conflitos internacionais — tem unido o setor público e a iniciativa privada. A Embrapa, co-organizadora do congresso, tem liderado esse movimento com foco direto no que o mercado e o consumidor final exigem na gôndola do supermercado.

"A Embrapa tem tido um protagonismo muito grande com parcerias público-privadas. Hoje nós trabalhamos com uma visão também mercadológica. Venham se desenvolvendo bioinsumos, principalmente para controle de pragas e doenças de plantas, e também as cultivares de feijão em parcerias com produtores de sementes, que direcionam o programa de melhoramento para atendimento de demandas do mercado", destacou Luciene Fróes Camarano, analista da Embrapa Arroz e Feijão.

Segundo a analista, a maior parte das cultivares modernas já carrega resistências importantes a doenças, além de entregar mais produtividade. Esse refino tecnológico passou a ser a principal aliada dos cientistas para tentar reverter a queda progressiva no consumo da leguminosa no país.

"Hoje o desafio maior é o consumo. O consumo vem caindo dia após dia e isso tem sido um problema. Essas novas cultivares ajudam a promover o produto justamente por causa da melhor e maior qualidade de grão, que hoje é uma coisa muito evidente para o mercado", concluiu Luciene.

Por: ITATIAIA

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