• Domingo, 3 de maio de 2026

Corte israelense prorroga detenção de Thiago Ávila e ativista espanhol-palestino

Eles estavam a bordo de uma flotilha humanitária para Gaza quando foram separados do grupo e levados a Israel para serem interrogados

O ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek tiverem a detenção prorrogada por mais dois dias. Eles foram detidos na última quinta-feira (30), junto com cerca de 175 ativistas que estavam a bordo de uma flotilha humanitária para Gaza.

A decisão de prorrogar a detenção dos dois ativistas foi autorizada por um tribunal israelense. Eles são acusados por Israel de terem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA) — organização que Washington acusa de "agir clandestinamente em nome" do grupo islamista palestino Hamas.

Segundo a chancelaria israelense, Abu Keshek é um membro de destaque da PCPA e que Ávila está vinculado à organização e é "suspeito de atividades ilegais".

Os ativistas comparecerem, neste domingo (3), perante um tribunal de Ashkelon, a cerca de 60 km de Tel Aviv, capital de Israel. "O tribunal prorrogou sua detenção por dois dias", declarou Miriam Azem, da organização de defesa dos direitos humanos Adalah. Segundo ela, as autoridades israelenses tinham pedido quatro dias de prorrogação.

A ONG informou que o promotor apresentou uma lista de supostos crimes cometidos pelos dois, entre eles "assistir o inimigo em tempos de guerra" e "pertencimento a prestação de serviços a uma organização terrorista".

Por outro lado, os advogados da organização questionaram a jurisdição do Estado e denunciaram um "sequestro ilegal". Eles relataram ao tribunal que Ávila e Abu Keshek disseram ter sofrido "graves abusos físicos que equivalem à tortura, inclusive agressões" e também que foram mantidos "em isolamento e com os olhos vendados durante dias no mar". Ainda segundo a ONG, não foram apresentadas acusações formais contra os dois.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel rebateu as denúncias de abusos físicos. "Ao contrário de [o que afirmam] as acusações falsas e infundadas, preparadas com antecedência, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Tiago Ávila foram submetidos a torturas", declarou à AFP o porta-voz da chancelaria, Oren Marmorstein, que acusou os detidos de oporem "resistência física e violenta" ao pessoal israelense.

Tanto o governo do Brasil, quanto o da Espanha, condenaram a ação de Israel como um "sequestro" e reivindicaram "o retorno imediato de seus cidadãos". Neste domingo (3), o ministério de Assuntos Exteriores espanhol reiterou o pedido após a decisão do tribunal.

"O Governo da Espanha exige sua libertação imediata", destacou o ministério de Assuntos Exteriores em uma mensagem enviada à AFP, detalhando que o cônsul espanhol em Tel Aviv acompanhou o "espanhol detido ilegalmente" ao comparecimento.

A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, zarpou da França, Espanha e Itália, com o objetivo de romper o bloqueio israelense em Gaza e levar suprimentos ao devastado território palestino. Aproximadamente 175 ativistas estavam a bordo, em sua maioria cidadãos de países europeus.

As forças israelenses as interceptaram em águas internacionais, em frente à costa da Grécia, na madrugada dessa quinta-feira (30). A maior parte dos ativistas da flotilha, que inicialmente contava com mais de cinquenta embarcações, desembarcou nessa sexta-feira (1º) na ilha grega de Creta. Eles subiram em quatro ônibus no porto de Atherinolakkos, no sudeste.

Escoltados pela guarda-costeira grega, eles seguiriam para Heraklion, a capital da ilha, segundo a imprensa local. Os barcos da flotilha que não foram interceptados na quinta-feira seguiam para a cidade cretense de Ierápetra.

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram separados do grupo e levados a Israel para serem interrogados.

Por: ITATIAIA

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