• Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Copa do Mundo: quais seleções estrearão em Mundiais na edição de 2026?

Entre as grandes novidades, quatro países disputarão o Mundial pela primeira vez: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão

A Copa do Mundo de 2026 marcará um fato inédito na história do futebol. Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções e permitirá que novas nações ocupem um espaço que, por décadas, foi restrito a um grupo seleto. 

Entre as grandes novidades, quatro países disputarão o Mundial pela primeira vez: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão.

A presença de Cabo Verde na Copa do Mundo talvez seja uma das histórias mais simbólicas desta edição.

Formado por um arquipélago de pequenas ilhas na costa africana, o país construiu a seleção a partir de um forte elo com a diáspora, especialmente na Europa, onde muitos de seus jogadores foram formados.

Ao longo dos últimos anos, as boas campanhas na Copa Africana de Nações já indicavam essa evolução, mas a classificação para o Mundial representa um salto ainda maior. 

Nas Eliminatórias, a classificação veio com autoridade. Cabo Verde terminou na liderança do Grupo D das Eliminatórias Africanas, somou 23 pontos em 10 partidas e desbancou Camarões, tradicional força africana, que terminou com 19 pontos e precisou buscar vaga na repescagem. FOram sete vitórias, dois empates e uma derrota

Cabo Verde também chamará atenção fora de campo. Com uma população estimada em cerca de 524 mil habitantes, o país se tornará o terceiro menos populoso a disputar uma Copa do Mundo.

O único país com população menor a participar do torneio até então foi a Islândia, que esteve na edição de 2018 (Curaçao entrará neste seleto grupo em 2026, sendo menos populoso que Cabo Verde)).

A estreia no Mundial reserva desafios de alto nível. No Grupo H, Cabo Verde enfrentará: Espanha, campeã mundial em 2010; Arábia Saudita, que venceu a Argentina em 2022; Uruguai, bicampeã mundial

A trajetória de Curaçao até a Copa do Mundo reflete a própria formação do país: diversa, plural e conectada ao mundo. Com forte influência da Holanda, a seleção reúne jogadores com formação europeia e identidade caribenha, criando um estilo híbrido e competitivo.

Sob o comando do experiente Dick Advocaat, Curaçao encontrou consistência.  A classificação histórica foi confirmada em novembro de 2025, quando a equipe terminou na liderança do Grupo B nas eliminatórias da Concacaf e garantiu vaga inédita no principal torneio do futebol mundial.

O feito marca o auge da evolução recente da seleção caribenha, que em menos de uma década passou de estreante em competições continentais para participante de um Mundial.

A classificação para 2026 já entrou para a história antes mesmo de a bola rolar. O país tornou-se o menor em população a garantir vaga em uma Copa do Mundo, com pouco mais de 150 mil habitantes.

Se fosse um município brasileiro, Curaçao seria considerado como a 202ª cidade mais populosa do país, com 148.925 habitantes (estimativa de 2023), com menos habitantes que cidades do interior mineiro como Pouso Alegre (152.217 pessoas), Patos de Minas (159.235) e Poços de Caldas (163.742).

Curaçau também é sucessora esportiva das Antilhas Holandesas, seleção que deixou de existir após a dissolução do território em 2010. Desde então, a nova equipe nacional cresceu rapidamente e passou a revelar jogadores que atuam principalmente na Europa, sobretudo na Holanda, em razão da ligação histórica entre os países.

Outro marco importante foi a campanha nas eliminatórias. Foram 12 pontos em seis jogos (três vitórias, três empates, 13 gols marcados e três sofridos). A Jamaica, segunda colocada, fez 11 pontos (três vitórias, dois empates e uma derrota).

O principal destaque ofensivo na campanha classificatória foi Gervane Kastaneer, autor de cinco gols.

Nascido em Roterdã, na Holanda, ele chegou a atuar nas categorias de base da seleção holandesa antes de defender Curaçau no nível principal.

Após se profissionalizar, no entanto, o atacante não mais foi convocado para a Seleção vice-campeã do mundo em 1974, 1978 e 2010, ocasião em que passou a ser chamado pelo selecionado curaçauense.

A classificação da Jordânia é resultado de um processo de amadurecimento do futebol no Oriente Médio. Após nove tentativas frustradas ao longo das décadas, a seleção finalmente garantiu vaga e disputará a Copa do Mundo pela primeira vez. A vaga representa a coroação da geração considerada como a mais talentosa que o país já produziu, tendo sido, inclusive, vice-campeã da Copa da Ásia de 2023.

A trajetória rumo ao Mundial não começou fácil. A Jordânia entrou diretamente na segunda fase das eliminatórias asiáticas e teve um início irregular, com empate fora de casa diante do Tajiquistão e derrota em casa para a Arábia Saudita. A reação, porém, foi imediata.

A equipe engatou quatro vitórias consecutivas, incluindo uma goleada por 7 a 0 sobre o Paquistão, resultado fundamental para ultrapassar os sauditas no saldo de gols.

Já sob o comando do técnico Jamal Sellami na fase seguinte, a seleção manteve o bom nível e atingiu 16 pontos após vitória por 3 a 0 sobre Omã, em junho de 2025.

A vaga foi confirmada poucas horas depois, quando o Iraque perdeu para a Coreia do Sul e garantiu matematicamente aos jordanianos uma das vagas diretas do grupo antes mesmo da rodada final.
Grande parte da confiança em uma campanha competitiva vem do trio ofensivo formado por Mousa Al Tamari (Rennes-FRA), Yazan Al Naimat (Al-Arabi-CAT) e Ali Olwan (Al-Sailiya-CAT).

Os três foram decisivos na fase final das Eliminatórias e foram responsáveis por grande parte dos gols que levaram a Jordânia à Copa.

A classificação para 2026 também tem sabor de redenção. O episódio mais marcante antes disso havia sido a campanha rumo ao Mundial de 2014.

Na ocasião, a Jordânia eliminou o Uzbequistão nos pênaltis na quinta fase das Eliminatórias Asiáticas e garantiu vaga na repescagem intercontinental.

O sonho parecia próximo, mas o adversário era um gigante: o Uruguai, então semifinalista da Copa de 2010 e liderado por nomes como os craques Luis Suárez, Edinson Cavani e Diego Forlán.

A seleção sul-americana venceu com autoridade o jogo de ida em Amã e segurou um empate em Montevidéu, adiando novamente o sonho jordaniano. Doze anos depois, a história finalmente mudou.

Entre os nomes marcantes da trajetória jordaniana rumo às Copas, um se destaca: Hassan Abdel-Fattah. Mesmo atuando como meia, ele se tornou o maior artilheiro do país em Eliminatórias, com 16 gols.

Se há uma classificação carregada de expectativa, é a do Uzbequistão. Durante anos, o país esteve próximo de disputar uma Copa do Mundo, mas sempre esbarrava nos momentos decisivos. Em 2026, finalmente, o ciclo foi quebrado.

A classificação histórica foi confirmada em junho de 2025 e colocou fim a décadas de tentativas frustradas que marcaram a trajetória do futebol no país desde a independência.

Trinta e cinco anos depois de se tornar uma nação soberana, a seleção finalmente alcançou o maior palco do futebol mundial.

A vaga veio após campanha sólida nas Eliminatórias Asiáticas e simboliza um novo momento para o esporte uzbeque, que agora passa a sonhar em competir de igual para igual com as potências mundiais.

O time está no Grupo K do Mundial de 2026.

O percurso rumo ao Mundial começou na segunda fase das Eliminatórias Asiáticas, e logo nos primeiros jogos a seleção mostrou que poderia sonhar alto. Dois empates contra o Irã, uma das potências do continente, e quatro vitórias garantiram a vaga na fase seguinte.

Na etapa decisiva, a equipe manteve a consistência: venceu três dos quatro primeiros jogos e empatou um. A única derrota, por 3 a 2 fora de casa para o Catar, não abalou a confiança do grupo, que reagiu com uma sequência invicta de cinco partidas.

O momento decisivo ocorreu em 5 de junho de 2025. O empate por 0 a 0 contra os Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, selou matematicamente a classificação inédita para a Copa do Mundo e desencadeou comemorações no país.

A conquista ganha ainda mais significado quando se olha para a história. O futebol uzbeque conviveu por décadas com frustrações traumáticas nas eliminatórias.

Em 2006, por exemplo, a equipe foi eliminada pelo Bahrein na regra do gol fora de casa após uma partida que havia vencido, mas que precisou ser repetida por erro de arbitragem. Oito anos depois, caiu diante da Jordânia nos pênaltis, novamente na fase decisiva.

O principal nome da classificação foi o jovem atacante Abbosbek Fayzullaev, de 22 anos. Ele marcou gols decisivos, incluindo o da vitória por 1 a 0 sobre a Coreia do Norte e outro no empate com o Irã fora de casa, resultado que deixou o país a um passo da classificação. Dinâmico, veloz e decisivo, o atacante tornou-se símbolo da nova era do futebol uzbeque.

Curiosamente, o treinador que conduziu a seleção durante a campanha classificatória não será o técnico no Mundial. Timur Kapadze, ídolo nacional e comandante na trajetória até a vaga, foi deslocado para a função de auxiliar.

O Uzbequistão vive um momento de afirmação esportiva. Embora tenha tradição em outras modalidades, como o boxe, o futebol é a grande paixão nacional. A classificação para a Copa é vista como um marco histórico, esperado por gerações.

Geograficamente isolado e distante dos grandes centros do futebol mundial, o país agora se insere definitivamente no mapa da modalidade. A estreia em 2026 simboliza não apenas uma conquista esportiva, mas a superação de uma longa trajetória de tentativas frustradas.

A presença de Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão evidencia uma transformação clara: o futebol está cada vez mais descentralizado.

A ampliação da Copa não apenas aumentou o número de participantes, mas também democratizou o acesso ao maior palco do esporte.

Por: Redação

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