Conheça três mega fazendas do Oeste Americano, quatro vezes maiores que a cidade de São Paulo
Com áreas que ultrapassam limites urbanos e operações milionárias, essas mega fazendas do Oeste Americano mostram como escala, gestão territorial e tradição transformaram a região em uma potência da pecuária mundial.
Com áreas que ultrapassam limites urbanos e operações milionárias, essas mega fazendas do Oeste Americano mostram como escala, gestão territorial e tradição transformaram a região em uma potência da pecuária mundial. O imaginário do Velho Oeste segue vivo em algumas regiões dos Estados Unidos — não apenas como herança cultural, mas como uma engrenagem econômica baseada na pecuária de larga escala. Em estados como Wyoming e Novo México, fazendas com centenas de milhares — e até mais de um milhão — de acres demonstram que a produção bovina ainda pode prosperar em sistemas extensivos, sustentados por tecnologia, planejamento e uso estratégico de terras públicas. Entre os exemplos mais emblemáticos estão Pathfinder Ranches, Great Western Ranch e Midland Ranch. Juntos, eles ajudam a explicar como funciona a pecuária moderna no Oeste americano, onde o equilíbrio entre produtividade, conservação ambiental e gestão territorial define o sucesso do negócio.
Rancho Pathfinder: um império pecuário em plena operação Um dos maiores complexos pecuários dos Estados Unidos acaba de mudar de mãos. A Pathfinder Ranches, no Wyoming — uma propriedade tão extensa que supera o tamanho do estado de Rhode Island — foi adquirida por Christopher Robinson, funcionário público eleito local, por meio da empresa familiar The Ensign Group LC. Essa é a nossa primeira parada nas fazendas do Oeste Americano.window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'}); Gado no rancho Pathfinder. Foto: Swan Land CompanyO negócio foi concluído em 14 de janeiro, encerrando meses de especulação sobre quem seria o comprador da fazenda, anunciada no verão passado por US$ 79,5 milhões. O valor final da transação não foi revelado, mas o movimento reforça o apetite por ativos rurais de grande escala no Oeste americano. Com impressionantes 916.076 acres, a Pathfinder está espalhada por quatro condados do Wyoming e é formada por 12 fazendas integradas, organizadas em quatro grandes unidades operacionais. Essa estrutura permite uma gestão altamente estratégica do território, favorecendo a rotação de pastagens, o manejo do rebanho e a preservação ambiental — fatores cada vez mais valorizados em propriedades dessa magnitude. Outro destaque é o reconhecimento da área como um dos maiores bancos de conservação de habitat do galo-da-pradaria, espécie considerada sensível e símbolo das planícies norte-americanas. Isso demonstra como produção e conservação podem coexistir quando há planejamento técnico. Os indicadores operacionais ajudam a dimensionar o tamanho do empreendimento:
Capacidade total: classificada para 90.444 AUMs (Unidades Animais por Mês), métrica usada nos EUA para calcular a pressão de pastejo sobre a terra.
Rebanho atual: mais de 11 mil cabeças, incluindo cerca de 3.400 vacas, 180 touros, mais de 7.500 bezerros/novilhos e 130 cavalos.
Taxa de lotação: aproximadamente 73% da capacidade máxima.
Essa ocupação abaixo do limite não é casual — trata-se de uma estratégia deliberada para garantir sustentabilidade do pasto, reduzir degradação e manter a produtividade ao longo dos ciclos climáticos. Operar abaixo da capacidade total permite que parte das áreas funcione como reserva ecológica, protegendo a biodiversidade local e assegurando a qualidade nutricional das forragens — um diferencial competitivo em sistemas extensivos. Nos Estados Unidos, propriedades desse porte costumam equilibrar terras próprias com áreas arrendadas, frequentemente próximas a recursos hídricos. Esse modelo histórico ajudou a moldar a pecuária do Oeste e continua sendo fundamental para viabilizar operações com milhares de animais. Poucas propriedades reúnem simultaneamente escala territorial, capacidade produtiva e relevância ambiental como a Pathfinder Ranches. A aquisição por um grupo familiar — e não por um fundo institucional — também chama atenção, indicando uma aposta de longo prazo no valor estratégico da terra.
Mais do que um símbolo do Velho Oeste, a Pathfinder representa a evolução da pecuária moderna: gestão profissional, uso inteligente da capacidade de suporte e integração com a conservação. Em um cenário global de demanda crescente por proteína animal, megarranchos como este mostram que tamanho continua sendo uma vantagem — desde que acompanhado por planejamento e responsabilidade no uso dos recursos naturais. Rancho Great Western: tradição centenária e eficiência territorial Localizado no oeste do Novo México, o Great Western Ranch figura entre as maiores propriedades privadas dos Estados Unidos, ocupando cerca de 504.801 acres — aproximadamente 2.042 km², uma área maior que muitas cidades americanas. Entre as fazendas do Oeste Americano, o imóvel voltou aos holofotes do mercado rural em julho de 2025, quando foi vendido pela família do falecido magnata da construção civil D.R. Horton. Embora o valor final não tenha sido revelado, a fazenda havia sido anteriormente listada por US$ 115 milhões, indicando o porte do ativo. Gado do rancho Great Western. Foto: Hall and Hall Mais do que uma fazenda tradicional, o Great Western é descrito como uma operação multidimensional, combinando produção pecuária de grande escala, exploração sustentável da vida selvagem e uma infraestrutura preparada para suportar atividades complexas.
O rancho sustenta uma das maiores operações de gado do país, com capacidade para cerca de 2.000 pares de vaca e bezerro, mantendo uma média considerada sustentável ao longo de uma janela produtiva de dez anos. Esse modelo reforça uma lógica comum no Oeste americano: integrar áreas próprias a terras arrendadas para ampliar a disponibilidade de pastagens e permitir a rotação estratégica, prática essencial para preservar a qualidade do solo e da forragem — especialmente em regiões onde os recursos hídricos são limitados.
Outro diferencial competitivo do Great Western Ranch é sua forte vocação para o turismo de caça. A propriedade é reconhecida pela abundância de grandes alces (elk), veados e antílopes, atraindo caçadores de diversas regiões. O rancho mantém um contrato de arrendamento com a Black Mountain Outfitters para a realização de expedições de caça guiadas, acordo válido até 31 de janeiro de 2027. Esse tipo de diversificação tem se tornado cada vez mais relevante em propriedades norte-americanas, criando novas fontes de receita sem comprometer a atividade pecuária. Os números da estrutura impressionam e ajudam a explicar a eficiência operacional da propriedade:
2.230 milhas de cercas
134 pastagens individuais
86 poços em operação, grande parte movida a energia solar ou elétrica
Oito residências
Escritórios administrativos
Oficinas
Celeiros de feno
Instalações completas para manejo do rebanho
Na prática, trata-se de um sistema produtivo altamente organizado, capaz de operar com autonomia mesmo diante das condições desafiadoras do sudoeste americano. Além do peso econômico, o Great Western carrega uma herança cultural rara. A área abriga inúmeros sítios arqueológicos ligados ao povo Anasazi — também conhecidos como Puebloanos Ancestrais —, com registros que datam de 200 d.C. a 1300 d.C. Entre os vestígios encontrados estão petróglifos, ruínas de moradias e fragmentos de cerâmica, evidências de uma ocupação humana muito anterior à formação dos Estados Unidos. A história mais recente também está presente na paisagem. Casas de pedra e antigos currais lembram a passagem de colonos e exploradores espanhóis, que ajudaram a moldar a ocupação do território. O Great Western Ranch exemplifica uma tendência crescente entre grandes propriedades rurais: transformar a terra em uma plataforma multifuncional, onde pecuária, conservação ambiental, turismo e patrimônio histórico coexistem. Mais do que tamanho, o rancho demonstra que o futuro das megapropriedades pode estar na diversificação de receitas, na gestão sustentável e na valorização do território como ativo estratégico — um modelo que chama a atenção de investidores e reforça o protagonismo do Oeste americano na pecuária global. Rancho Midland: mais de um milhão de acres e um sistema ancestral de manejo O Midland Ranch, no estado de Wyoming, é reconhecido como uma das propriedades rurais mais icônicas — e também uma das maiores fazendas do Oeste Americano — dos Estados Unidos. Recentemente colocado à venda por US$ 22 milhões, o complexo histórico localizado na região de Boulder chama atenção não apenas pela escala territorial, mas pelo legado cultural e produtivo que atravessa gerações. Fazendas do Oeste Americano. Unidade 1 do Rancho Midland. Foto: JameseditionA propriedade se estende por cerca de 1,15 milhão de acres, considerando terras próprias e arrendadas — uma área maior que o estado de Delaware. Ao longo de mais de um século, o Midland consolidou-se como um símbolo da pecuária extensiva do Oeste americano. O rancho pertence à família Arambel há mais de 120 anos, período em que construiu reputação baseada em um sistema de manejo raro nos dias atuais: a transumância. Essa prática consiste na migração sazonal do rebanho por mais de 160 quilômetros, deslocando os animais entre pastagens de inverno e verão para aproveitar melhor os recursos naturais e evitar a sobrecarga das áreas de pastejo. Historicamente, o Midland operou como uma fazenda de ovelhas, utilizando esse método para manter a produtividade em ambientes variados — uma estratégia que continua sendo referência em gestão territorial. Poucas propriedades americanas concentram tamanha riqueza cultural. O Midland é atravessado por trilhas lendárias como a Oregon Trail e a Mormon Trail, rotas fundamentais para a expansão rumo ao oeste dos Estados Unidos no século XIX. A região também guarda episódios do imaginário do Velho Oeste: há registros de que áreas da fazenda serviram de esconderijo para o famoso fora da lei Butch Cassidy, reforçando o caráter histórico da propriedade. O Midland Ranch, uma das fazendas do Oeste Americano, é composto por cinco unidades, que podem ser adquiridas em conjunto ou separadamente — uma flexibilidade incomum para ativos dessa dimensão. Entre elas estão propriedades conhecidas como Grass Creek Ranch e Little Sandy River Ranch. A Unidade 1 (Grass Creek Ranch) ajuda a dimensionar a capacidade produtiva do complexo:
Capacidade histórica: cerca de 450 pares de vaca e bezerro durante uma temporada de quatro meses.
Total de AUMs:1.800, sendo 1.581 em terras próprias e 219 em áreas administradas pelo Bureau of Land Management (BLM).
Esse modelo híbrido — combinando áreas privadas e públicas — segue a lógica tradicional do Oeste, permitindo ampliar o pastejo sem elevar excessivamente os custos. Embora tenha dimensão semelhante à da vizinha Pathfinder Ranches, com aproximadamente 916 mil acres, o Midland apresenta um perfil produtivo distinto. Enquanto a Pathfinder opera atualmente com cerca de 3.400 vacas e 7.500 novilhos, o Midland historicamente manteve uma abordagem mais conservadora de lotação. Essa diferença ilustra uma regra importante da pecuária extensiva: a capacidade real depende do bioma, da disponibilidade de água e da qualidade da forragem, e não apenas do tamanho da propriedade. O Midland Ranch representa mais do que um negócio agropecuário — é uma propriedade onde escala, tradição e patrimônio cultural se encontram. Sua possibilidade de aquisição por unidades também amplia o interesse de investidores que buscam entrar no mercado de terras americanas em diferentes níveis.
Por: Redação
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