O mercado brasileiro de ovos encerrou a primeira quinzena de abril com as cotações em queda, na contramão da expectativa de aquecimento comum ao início de cada mês. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a tradicional retomada da demanda não ganhou fôlego suficiente para sustentar os preços, resultando em quedas em todas as regiões acompanhadas pela instituição.
O menor ritmo de escoamento da produção forçou produtores e distribuidores a intensificarem a concessão de descontos para evitar o acúmulo excessivo de mercadoria. Embora o cenário de oferta tenha variado entre as praças — com algumas granjas mantendo estoques controlados e outras já registrando excedentes —, a baixa procura foi o fator determinante para a desvalorização da proteína.
A retração atual acende um sinal de alerta para o setor avícola. Historicamente, o período que sucede a Quaresma — época de pico no consumo de ovos por questões religiosas — é marcado por uma tendência de desvalorização prolongada.
"Nos últimos dois anos, após o final do período da Quaresma, os preços recuaram por vários meses consecutivos, pressionados pela maior disponibilidade interna", apontaram os levantamentos do Cepea.
Diante deste panorama, especialistas indicam que o grande desafio dos produtores para os próximos meses será o ajuste fino entre a oferta interna e a demanda real. Sem um equilíbrio rigoroso, o setor pode enfrentar um ciclo de preços baixos mais acentuado, impactando as margens de lucro da atividade.





