Com DNA editado, ovelha inédita na Índia avança na produção de carne e provoca debate
Criada com a tecnologia CRISPR, a ovelha Tarmeem mostra aumento muscular de cerca de 10%, mantém parâmetros de saúde normais e reacende o debate sobre o futuro da produção de carne e os limites éticos da edição genética.
Criada com a tecnologia CRISPR, a ovelha Tarmeem mostra aumento muscular de cerca de 10%, mantém parâmetros de saúde normais e reacende o debate sobre o futuro da produção de carne e os limites éticos da edição genética. A primeira ovelha geneticamente editada da Índia acaba de completar um ano de vida e, segundo os pesquisadores responsáveis, apresenta crescimento saudável e desempenho físico superior ao de um animal convencional. Batizada de Tarmeem — termo de origem árabe que significa modificação ou edição —, a ovelha nasceu em 16 de dezembro de 2024, na região da Caxemira administrada pela Índia, e representa um marco inédito para a ciência agropecuária do país. O animal foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Agrícola Sher-e-Kashmir, em Srinagar, onde permanece alojado em ambiente controlado e sob vigilância rigorosa, ao lado de seu irmão gêmeo não editado, utilizado como referência científica para comparação.
O projeto utilizou a tecnologia CRISPR, considerada uma das maiores revoluções científicas das últimas décadas. Trata-se de um sistema que funciona como uma “tesoura molecular”, capaz de editar genes específicos do DNA com alta precisão. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});No caso de Tarmeem, os cientistas atuaram sobre o gene da miostatina, conhecido por limitar o crescimento muscular em mamíferos. Ao inativar esse gene ainda na fase embrionária, os pesquisadores buscaram estimular maior desenvolvimento de massa muscular, sem a introdução de genes externos. Os embriões editados foram mantidos em laboratório por até três dias e, posteriormente, transferidos para uma ovelha receptora, que levou a gestação normalmente por cerca de 150 dias, até o nascimento dos cordeiros. Foto: Abid Bhat/BBCDe acordo com a equipe científica, os resultados iniciais são considerados extremamente positivos. Após completar um ano de idade, Tarmeem apresentou:
Parâmetros fisiológicos e bioquímicos normais
Crescimento físico compatível com a idade
Aumento de cerca de 10% na massa muscular, em comparação direta com o gêmeo não editado
Segundo os pesquisadores, esse ganho muscular tende a aumentar com o avanço da idade, reforçando o potencial produtivo da técnica. Além disso, testes contínuos de saúde, resistência e sobrevivência estão em andamento, enquanto a universidade aguarda apoio financeiro do governo indiano para ampliar as pesquisas.
Embora o nascimento de Tarmeem tenha ocorrido em 2024, o projeto não surgiu de forma repentina. Foram sete anos de pesquisas, com diversos desafios técnicos ao longo do caminho. Nesse período, a equipe realizou:
Sete procedimentos de fertilização in vitro
Cinco nascimentos bem-sucedidos
Dois abortos
Apenas um caso de edição genética efetivamente bem-sucedida
O histórico evidencia o alto grau de complexidade e precisão exigido pela tecnologia, mas também demonstra que, após a padronização dos protocolos, a taxa de sucesso tende a crescer. O sucesso do experimento vai além do laboratório. No Vale da Caxemira, o consumo anual de carne de carneiro gira em torno de 60 mil toneladas, enquanto a produção local atende apenas metade dessa demanda.
Nesse cenário, a edição genética surge como uma alternativa estratégica. Estimativas dos pesquisadores indicam que, no futuro, a técnica poderia aumentar o peso corporal das ovelhas em até 30%, permitindo:
Maior produção de carne com menos animais
Uso mais eficiente da terra e da água
Redução da pressão ambiental sobre os sistemas produtivos
A adoção em larga escala, no entanto, depende de aprovação regulatória, tanto para a criação quanto para o consumo desses animais. A primeira ovelha geneticamente modificada da Índia (à direita) e sua irmã gêmea não modificada. Foto: Abid Bhat/BBC
Um dos pontos centrais do debate envolve a distinção entre edição genética e organismos transgênicos. Cientistas reforçam que os conceitos são diferentes:
Edição genética: altera genes já existentes no organismo
Transgenia: insere genes de outras espécies
Essa diferença tem levado diversos países a adotar posturas regulatórias mais flexíveis. Argentina, Austrália, Brasil, Colômbia e Japão, por exemplo, já reconhecem alguns animais editados geneticamente como equivalentes aos naturais, permitindo seu consumo.
Descoberta em 2012, a tecnologia CRISPR rendeu às cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna o Prêmio Nobel de Química em 2020 e vem transformando áreas como medicina, agricultura e biotecnologia. Atualmente:
Estados Unidos e China utilizam CRISPR para criar animais e culturas mais produtivas
A FDA aprovou recentemente um porco geneticamente editado
O Reino Unido deve liberar alimentos editados geneticamente nos próximos anos
A União Europeia começa a flexibilizar regras, apesar de ainda manter restrições rigorosas
Na Índia, o Ministério da Agricultura já aprovou duas variedades de arroz editadas geneticamente, mas ainda não está claro como Tarmeem será enquadrada do ponto de vista legal. Para os pesquisadores envolvidos, a edição genética pode desempenhar papel semelhante ao das culturas de alto rendimento introduzidas na década de 1960, que transformaram a segurança alimentar indiana.
Por: Redação
Artigos Relacionados:
Exportação de carne bovina do Brasil cresce 40% em 2025
há 50 minutos
Exportação de carne bovina do Brasil cresce 40% em 2025
há 1 hora
Conformação de Milhões: O que torna uma vaca perfeita aos olhos do mercado?
há 1 hora
Carne com ‘bicheira’: Por que remover a parte afetada não torna o resto seguro para consumo?
há 1 hora
Quem mandou no sertanejo em 2025? Confira a lista completa dos mais ouvidos
há 1 hora
Exportações de carne bovina batem recorde histórico em 2025 e Brasil fatura US$ 18,3 bilhões
há 1 hora
Conheça a maior fazenda de cavalos do mundo, propriedade milenar que possui 10.000 equinos
há 1 hora
Satis firma parceria exclusiva no setor sucroenergético
há 2 horas
Entrevista exclusiva com o advogado do produtor que teve vacas mortas após apreensão do Ibama
há 2 horas
ONGs processam "TV Globo" por documentário sobre rodeios
há 2 horas
Vaca usa vassoura para se coçar e seu comportamento intriga cientistas
há 2 horas
China soltou 1,2 milhão de coelhos no deserto de Kubuqi e o impossível aconteceu
há 3 horas
Novo entreposto com capacidade estática de armazenagem de 44.000 t de grãos avança no TO
há 3 horas
O incômodo que custa ouro: conheça seus direitos no crédito rural!
há 3 horas
USDA: exportadores dos EUA vendem 412,7 mil t de farelo de soja da safra 2025/26
há 3 horas
Conheça o garanhão mais raro do mundo da raça Knabstrupper; Vídeo
há 3 horas
Exportadores dos EUA vendem 618,1 mil t de trigo da safra 2025/26, diz USDA
há 3 horas
Ranking Matopiba: Os 8 municípios da fronteira agrícola que mais valorizaram nos últimos meses
há 3 horas
USDA: exportadores dos EUA vendem 4,01 milhões de t de milho da safra 2025/26
há 3 horas
Nova tecnologia com luz azul pode antecipar o cio das éguas e melhorar a pelagem rapidamente
há 3 horas
Exportadores dos EUA vendem 2,45 milhões de t de soja da safra 2025/26, diz USDA
há 3 horas
Conheça a indústria que lava e inspeciona 180 mil ovos por hora, um ritmo absurdo
há 3 horas
Tomate saladete ganha força no campo brasileiro com foco em qualidade e resistência
há 3 horas
Afinal, o boi de 18 arrobas rende mesmo 540kg? Entenda
há 3 horas
Aprosoja MT: piso mínimo do frete amplia custo e compromete competitividade
há 3 horas
“Quando sobrar eu guardo”: por que isso quase nunca acontece no campo
há 3 horas
EUA: Transporte ferroviário de grãos aumenta 22% na semana, aponta relatório
há 3 horas
Bilionário britânico compra fazenda gigante de 700 mil hectares e acelera corrida por terras
há 3 horas
Justiça suspende embargos do Ibama no Matopiba e libera fazenda após 18 anos de bloqueio