• Segunda-feira, 23 de março de 2026

China reforçou estoque de petróleo meses antes de guerra no Irã

Pequim importou 15,8% a mais da commodity no 1º bimestre de 2026; guerra que bloqueou Ormuz começou em 28 de fevereiro.

A China importou 15,8% a mais de petróleo nos 2 primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O dado divulgado pela Administração Geral de Alfândegas da China em 10 de março chama atenção pelo aumento em um cenário em que a demanda por importações de petróleo está em queda no país e pela proximidade com o início da guerra no Irã.

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel começou em 28 de fevereiro e travou o estreito de Ormuz, uma das principais rotas de comércio de petróleo do mundo. O impacto global foi imediato, com o preço do barril disparando para mais de US$ 100, forçando os países dependentes de Ormuz a recorrer a seus estoques para dar fôlego às suas economias.

Segundo a EIA (sigla em inglês para Agência de Informações de Energia dos EUA), a demanda por importações da China atingiu um pico em 2023. Mesmo assim, o país manteve seu apetite no mercado petroleiro e continuou a abastecer seu estoque, que ao longo de décadas se tornou o 2º maior no mundo, só atrás dos EUA.

A estratégia tem se mostrado acertada. Apesar de ter cerca de 40% de suas importações bloqueadas no Irã, a China ganha tempo na busca por alternativas, enquanto outros países, como Índia e Coreia do Sul, brigam com um cronograma mais apertado.

Infográfico mostra que a China é o país com maior estoque de petróleo da Ásia

O valor do estoque chinês de petróleo é um segredo de Estado e não é divulgado oficialmente. Um levantamento do Instituto de Oxford para Estudos de Energia publicado em fevereiro deste ano estima o estoque chinês de 1,1 bilhão a 1,3 bilhão de barris, enquanto algumas reportagens citam o valor próximo de 1,4 bilhão. Caso a China decidisse parar de importar petróleo, seu estoque acabaria em cerca de 120 dias. Eis a íntegra do relatório (PDF – 639 kB, em inglês).

Entre os países mais sensíveis às alterações no Golfo Pérsico, quem está em situação mais delicada é a Índia, que importa 80% de sua demanda, da qual metade vem do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o estoque de petróleo do governo indiano é curto em comparação ao da China e do Japão e mantém o abastecimento do país por 2 meses.

Para driblar o bloqueio em Ormuz, a Índia recorreu à Rússia. Segundo a emissora indiana NDTV, a procura por petróleo russo aumentou 50% em março na comparação com fevereiro.

Entre as principais potências do continente asiático, Japão e Coreia do Sul já declararam estar colocando à disposição seus estoques para conter a instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio.

Na semana passada, o Japão colocou no mercado 80 milhões de barris de petróleo. Já a Coreia do Sul informou que liberará 22 milhões de barris de seu estoque para atender a demanda interna.

Por: Poder360

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