China cria “sementes vivas” que transformam deserto em solo fértil em apenas 2 anos
Método inovador injeta microrganismos sob a areia, acelera a formação de solo biológico e pode restaurar milhares de hectares de desertos nos próximos cinco anos.
Método inovador injeta microrganismos sob a areia, acelera a formação de solo biológico e pode restaurar milhares de hectares de desertos nos próximos cinco anos.A desertificação é um dos desafios ambientais mais graves do planeta, especialmente em regiões áridas e semiáridas que enfrentam perda de cobertura vegetal, degradação do solo e avanço das dunas. No noroeste da China, onde vastas áreas sofrem com a erosão e a expansão do deserto, cientistas estão apostando em uma solução inovadora: as chamadas “sementes de solo”, uma tecnologia biológica capaz de transformar areia instável em base fértil para o crescimento de plantas. A iniciativa foi divulgada pela agência oficial chinesa Xinhua News Agency e envolve pesquisadores ligados à Academia Chinesa de Ciências, por meio do Instituto de Ecologia e Recursos Naturais do Noroeste. O objetivo é claro: acelerar drasticamente a formação de camadas biológicas no solo, reduzindo um processo que normalmente levaria décadas para apenas alguns anos.
As chamadas sementes não são vegetais convencionais. Elas são compostas principalmente por cianobactérias, microrganismos fotossintetizantes capazes de sobreviver em ambientes extremos e desempenhar papel fundamental na formação de crostas biológicas do solo. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Essas cianobactérias atuam como uma espécie de “cola natural”:
Unem partículas de areia
Formam uma camada estável sobre a superfície
Criam uma base estruturada para o estabelecimento de vegetação futura
Em ambientes desérticos, a formação natural dessa camada biológica pode levar 15 anos ou mais. Com a nova tecnologia, esse tempo foi reduzido para 1 a 2 anos, representando um salto científico significativo. No início das pesquisas, os cientistas cultivavam as cianobactérias em laboratório e depois as transplantavam para áreas desérticas. O problema era que, ao entrar em contato com a areia solta e sob forte radiação solar, os microrganismos morriam em menos de uma semana. As partículas de areia danificavam a delicada película biológica das cianobactérias, enquanto a exposição direta ao sol causava rápida desidratação. Ou seja, a tecnologia era promissora em ambiente controlado, mas inviável em larga escala no campo. O avanço ocorreu quando os pesquisadores, inspirados pelo efeito da chuva no solo arenoso, desenvolveram um método de injeção sob pressão.
Nesse sistema:
As cianobactérias são inseridas entre os espaços das partículas de areia
Ficam protegidas da radiação solar direta
Permanecem em ambiente com maior retenção de umidade
Os resultados foram expressivos:
Redução do tempo de formação da camada biológica de 15 anos para 1 a 2 anos
Taxa de sobrevivência superior a 60%
Maior resistência à desidratação
Além de acelerar o processo, a técnica aumentou significativamente a eficiência da restauração ecológica. Apesar dos bons resultados, o método de pulverização sob pressão enfrentava um obstáculo logístico importante: o equipamento exigia eletricidade e infraestrutura de transporte, o que limitava sua aplicação em regiões remotas — justamente onde a desertificação costuma ser mais severa.
Para superar essa barreira, a equipe desenvolveu uma formulação sólida. A solução de cianobactérias passou a ser misturada com:
Matéria orgânica
Partículas finas
Proporções específicas que garantem estabilidade
O resultado é uma espécie de “semente” compacta, que pode ser transportada e aplicada com mais facilidade, ampliando o alcance da tecnologia. A inovação já foi incorporada ao ambicioso projeto chinês conhecido como “Três Faixas de Proteção do Norte” (também chamado de Grande Muralha Verde da China), iniciativa que busca criar cinturões florestais artificiais ao redor das áreas desérticas do norte do país. A expectativa é que, com o uso das sementes de solo, entre 5,3 mil e 6,7 mil hectares de terras desérticas sejam restaurados nos próximos cinco anos.
Trata-se de uma estratégia que combina ciência, biotecnologia e engenharia ecológica para enfrentar um problema estrutural que impacta segurança alimentar, recursos hídricos e estabilidade climática. A desertificação afeta milhões de hectares ao redor do mundo, inclusive em regiões da África, Oriente Médio e partes da América Latina. Tecnologias capazes de estabilizar dunas rapidamente e criar condições para o retorno da vegetação podem se tornar ferramentas estratégicas no combate às mudanças climáticas e na recuperação de áreas degradadas.
Ao reduzir o tempo de restauração de décadas para poucos anos, a inovação chinesa demonstra que soluções baseadas em microrganismos podem transformar a forma como o mundo enfrenta a degradação do solo.
Por: Redação
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