Cervo indiano invade o Pantanal e acende alerta ambiental no Brasil
Registro em Mato Grosso do Sul confirma expansão do chital pelo país e reacende discussão sobre manejo de invasores; situação preocupa pesquisadores pelo risco ao equilíbrio do bioma
Registro em Mato Grosso do Sul confirma expansão do chital pelo país e reacende discussão sobre manejo de invasores; situação preocupa pesquisadores pelo risco ao equilíbrio do bioma O portal CompreRural já havia feito o alerta: um cervo exótico, com histórico de invasão e potencial para se tornar praga, estava avançando pelo Brasil e poderia repetir os impactos já conhecidos do javali. O aviso, publicado anteriormente pelo site, ganha agora contornos ainda mais preocupantes com a confirmação da presença do cervo-axis no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Trata-se do cervo-axis, também conhecido como chital, espécie nativa do continente asiático, especialmente da Índia. O animal foi avistado em janeiro de 2026 no Pantanal do Nabileque, região de difícil acesso situada entre a fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia, em uma fazenda a cerca de 100 quilômetros ao sul de Corumbá (MS). A informação foi divulgada pelo portal O Eco, especializado em jornalismo ambiental. O registro foi feito por um funcionário da propriedade rural, que relatou ter visto o cervo atacar touros e ser perseguido por cães. Segundo ele, o aparecimento do animal — até então inexistente na região — surpreendeu a todos na fazenda. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Foto: Bruno Neka dal Pont/Arquivo PessoalDispersão ativa preocupa pesquisadores Pelo fato de a área ser caracterizada como “chaco úmido” e apresentar acesso limitado, especialistas consideram improvável que o animal tenha escapado recentemente de um cativeiro local. A hipótese mais plausível é a de dispersão ativa. De acordo com análise publicada por O Eco, não está claro se já há ocorrência consolidada da espécie no Chaco paraguaio. Contudo, até recentemente o Paraguai não possuía legislação restritiva quanto à posse, transporte e manejo de espécies exóticas, o que pode ter favorecido a expansão do cervídeo na região fronteiriça. O problema central não é apenas a presença isolada de um indivíduo, mas o risco de estabelecimento populacional. O cervo-axis é um mamífero de grande porte, podendo ultrapassar 100 kg de massa corporal, com alta capacidade reprodutiva e adaptabilidade ecológica — características típicas de espécies invasoras bem-sucedidas. Axis no Parque Nacional Kanha, na Índia. Foto: Charles J. Sharp/Wikipédia. Risco direto às espécies nativas A chegada do chital acende um alerta vermelho no Pantanal, que abriga as maiores populações de dois cervídeos emblemáticos: o cervo-do-pantanal, ameaçado de extinção em escala nacional e global, e o veado-campeiro. Além deles, o bioma mantém populações expressivas de veado-catingueiro e veado-mateiro.
A introdução de um cervídeo exótico pode desencadear competição por alimento, espaço e abrigo, além de riscos sanitários, como transmissão de patógenos. Em ecossistemas complexos como o Pantanal, alterações aparentemente pontuais podem produzir efeitos em cascata sobre a dinâmica trófica e o equilíbrio populacional. Expansão silenciosa pela América do Sul O chital foi introduzido na América do Sul no início do século 20, em uma fazenda de caça no Uruguai. A partir daí, expandiu-se gradualmente. No Brasil, o primeiro registro oficial ocorreu em 2009, no Rio Grande do Sul. Posteriormente, a espécie foi identificada em Santa Catarina e no Paraná, em 2020, e no interior de São Paulo, próximo a Monte Alto, em 2024. Na Argentina, o cervo já ocupa toda a província de Corrientes e, em 2024, chegou à região do Chaco argentino, na fronteira com Bolívia e Paraguai. No Paraguai, a situação é ainda mais preocupante: além da presença consolidada em diversas áreas, há registro de acidente fatal em 2022, quando um exemplar mantido como ornamento atacou e matou um policial em Assunção. Apesar dessa expansão geográfica consistente, o Brasil ainda não implementou um plano nacional estruturado de controle do cervo-axis. A ausência de ação coordenada pode repetir o erro cometido no caso do javali, cuja explosão populacional trouxe prejuízos ambientais, sanitários e econômicos ao setor produtivo.
Repercussão nas redes sociais Nas redes sociais, a aparição do cervo-axis no Pantanal rapidamente gerou debate entre moradores da região, produtores rurais e ambientalistas. Um dos comentários mais compartilhados foi de um pantaneiro que ironizou a situação: “ Isso é bom, quem sabe as onças comem ele e deixam os bezerros em paz”. A observação faz referência aos recorrentes conflitos entre pecuaristas e predadores como a onça-pintada, mas especialistas lembram que a introdução de uma nova espécie não resolve desequilíbrios ecológicos — ao contrário, tende a ampliá-los. Outro internauta questionou a fragilidade do controle sanitário e ambiental nas fronteiras brasileiras: “ Incrível é que, se você viaja pra outro país com uma semente de alecrim, é capaz de ser preso, e chegam animais desse porte, sem nenhum controle?!”. A crítica expõe uma percepção comum entre produtores e cidadãos: a rigidez aplicada a pequenos itens agrícolas contrasta com a dificuldade de monitoramento efetivo de espécies exóticas de grande porte que cruzam fronteiras terrestres extensas e de difícil fiscalização. Também surgiram questionamentos sobre medidas práticas de controle. “ E quando que vai liberar a caça?”, perguntou um usuário. Outro foi além, sugerindo que o Brasil adote estratégia semelhante à de países vizinhos: “ Esse animal já tem caça liberada na Argentina e Uruguai. Basta incluir ele como fauna exótica invasora assim como o javali e liberar a caça do mesmo.” A discussão coloca em pauta a necessidade de definição jurídica da espécie como invasora e a eventual autorização de manejo populacional — tema que envolve critérios técnicos, ambientais e legais, além de coordenação entre órgãos federais e estaduais. A repercussão evidencia que, mais do que um fato isolado, o avanço do cervo-axis toca em questões sensíveis: conservação da biodiversidade, defesa sanitária, segurança jurídica e impacto econômico no campo.
Novo desafio para a fauna brasileira
Por: Redação
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