O cenário do agronegócio apresenta oscilações significativas no fim de maio de 2026, refletindo uma dinâmica complexa entre o clima global, a oferta interna e as decisões governamentais. Com a proximidade do encerramento do mês, o mercado absorve desde a queda expressiva nos preços do milho no interior paulista até a firme valorização do boi gordo e os recentes reajustes nos combustíveis anunciados pela Petrobras.
Os dados mais recentes divulgados no relatório diário da consultoria DATAGRO trazem um panorama detalhado das principais commodities, fornecendo os insights essenciais para que produtores e investidores possam traçar suas estratégias.
GrãosO mercado de grãos encerra o mês com um viés de baixa acentuado para os produtores paulistas. Em Campinas (SP), a média das negociações do milho atingiu R$ 64,00 a saca de 60 kg no dia 28 de maio. Este valor representa um recuo semanal de 3,0% e uma queda acumulada de 4,5% no mês, consolidando-se como o menor preço do ano na região.
Segundo a DATAGRO, essa desvalorização é um reflexo direto dos amplos estoques de passagem — estimados em 16,1 milhões de toneladas (um dos maiores da série histórica) — somados ao avanço da colheita da safrinha de 2026. A projeção é que esta segunda safra alcance 112 milhões de toneladas. Se confirmada, será a segunda maior da história, superada apenas pelos números de 2025. Essa ampla disponibilidade reduz o poder de barganha do produtor, sobretudo daqueles com limitações de armazenagem.
Enquanto o Brasil lida com a superoferta, os Estados Unidos enfrentam desafios climáticos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as condições de seca pioraram em relação ao ano passado. Atualmente, 27% das lavouras de soja e 25% das lavouras de milho norte-americanas sofrem com a falta de chuva (altas de 10 e 2 pontos percentuais, respectivamente, frente a 2025), o que tem sustentado os contratos na Bolsa de Chicago (CBOT).
Boi gordo em alta no BrasilSe os grãos enfrentam pressão de baixa, a pecuária bovina respira valorização. O Indicador do Boi DATAGRO, tendo como base a praça de São Paulo, alcançou a cotação de R$ 349,07 por arroba. No atacado, a carcaça casada bovina manteve-se estável a R$ 23,66/kg, um patamar considerado elevado para a média histórica do período.
Em contrapartida, as proteínas alternativas registraram queda no mercado atacadista paulista. A carne de frango recuou para R$ 7,52/kg, enquanto a suína fechou em R$ 8,67/kg.
No cenário internacional, a Austrália renovou seus recordes históricos de abate bovino no primeiro trimestre de 2026. Esse movimento acelerado, de acordo com a análise da consultoria, é impulsionado pela forte demanda dos Estados Unidos e pela urgência de preenchimento das cotas de exportação para a China.
Setor sucroenergético integrado ao cenário do agronegócioOutro ponto vital no cenário do agronegócio é a movimentação portuária de açúcar e etanol. O line-up da DATAGRO registrou um leve avanço nas nomeações de navios para embarque de açúcar no Brasil, passando de 42 para 45 embarcações na semana, projetando a exportação de 1,846 milhão de toneladas. Apesar da melhora semanal, o volume ainda é 26,8% menor que o registrado no mesmo período de 2025. No Porto de Santos, a espera para atracação nos berços 16/17 da CLI subiu para 11 dias.
Nas exportações de etanol, maio registrou uma queda anual de 35,4% (somando 69 milhões de litros). No entanto, junho já sinaliza recuperação, com 108 milhões de litros agendados para embarque. Nos Estados Unidos, dados da EIA mostraram uma queda de 2,0% na produção semanal de etanol, contrastando com um aumento de 5,6% no consumo de gasolina, impulsionado pela chegada da temporada de verão.
Energia, biodiesel e fertilizantesCom vigência a partir de hoje (29), a Petrobras anunciou um reajuste de 18,5% na gasolina nas refinarias (R$ 0,48 por litro). Contudo, devido a uma subvenção federal para produtores e importadores, o impacto líquido será de apenas R$ 0,04 por litro (+1,3%). Para o consumidor nos postos paulistas, a estimativa da DATAGRO é de um repasse médio de apenas R$ 0,03/litro.
No mercado de insumos, um alívio à vista: a China anunciou novas cotas de exportação de ureia, liberando o fertilizante após meses de restrição governamental para proteger seus próprios agricultores.
Já no mercado de biodiesel, os créditos RINs (Renewable Identification Numbers) nos EUA seguem quebrando recordes. Impulsionados pelos novos mandatos da RFS para 2026 e 2027, o crédito RIN D4 alcançou US$ 2,18 no fim de maio, acumulando uma impressionante alta de 122,4% no ano.
Combate focado ao GreeningFechando as novidades, o governo de São Paulo endureceu as regras contra a maior ameaça à citricultura: o greening. A nova Resolução SAA nº 32/2026 classifica os municípios pelo nível de incidência da doença. Em áreas de alta contaminação, a erradicação de plantas adultas pode ser flexibilizada se houver manejo rigoroso, mas a eliminação de plantas jovens doentes continua obrigatória. A resolução também intensifica o monitoramento do psilídeo, vetor da doença, e restringe o trânsito interestadual de frutas cítricas.





