• Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Fim da escala 6×1 pode elevar custos no agro, alerta ex-ministro da Agricultura

Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura, avalia que a redução da jornada para 40 horas semanais - fim da escala 6x1 - pode pressionar frigoríficos, elevar despesas das empresas e comprometer a competitividade de um dos setores mais importantes da economia brasileira.

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas sem diminuição salarial ganhou força no Congresso Nacional e já desperta preocupação entre lideranças do agronegócio. Um dos críticos da medida é o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra, que alerta para possíveis impactos na produção agropecuária e na indústria de alimentos caso a mudança avance sem uma discussão mais aprofundada.

Para Turra, a preocupação vai além da simples reorganização das escalas de trabalho. O ex-ministro argumenta que atividades ligadas ao agronegócio dependem de operações contínuas, especialmente em frigoríficos, granjas, propriedades leiteiras, confinamentos e unidades de processamento de alimentos, onde a interrupção das atividades ou a necessidade de contratação de mais equipes pode elevar significativamente os custos de produção.

“Estamos falando de um setor que já enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores em diversas regiões do país”, argumenta Turra ao destacar que os frigoríficos convivem atualmente com um déficit estimado de cerca de 30 mil profissionais. Segundo ele, a redução da jornada pode ampliar esse desafio, exigindo mais contratações justamente em um momento em que faltam trabalhadores qualificados.

O que preocupa o agronegócio

A principal preocupação do setor com o avanço da proposta com o fim da escala 6×1 está relacionada ao aumento do custo da mão de obra.

Na prática, empresas que hoje operam em turnos contínuos poderiam ser obrigadas a contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de produção. Isso significa maior gasto com salários, encargos trabalhistas, treinamento e gestão operacional.

Especialistas do setor avaliam que o impacto tende a ser mais intenso em atividades que não podem simplesmente interromper suas operações, como frigoríficos, granjas de aves, suinocultura, ordenha leiteira e processamento de alimentos.

Além disso, há o temor de que o aumento dos custos acabe sendo repassado ao consumidor final, pressionando os preços dos alimentos.

Frigoríficos podem ser os mais afetados

Turra cita a indústria frigorífica como um dos segmentos mais sensíveis à proposta.

Segundo ele, a combinação entre falta de trabalhadores e redução da carga horária disponível pode gerar ociosidade nas plantas industriais, reduzindo a capacidade de processamento e afetando toda a cadeia pecuária.

O ex-ministro também alerta que eventuais gargalos operacionais poderiam comprometer a velocidade de abate e processamento dos animais, gerando reflexos sobre produtores rurais, indústrias e exportações.

Debate sobre o fim da escala 6×1 ainda deve passar pelo Senado

Apesar da aprovação na Câmara, a proposta com o fim da escala 6×1 ainda precisa avançar nas próximas etapas legislativas.

Turra defende que o Senado promova um debate mais amplo, ouvindo representantes dos trabalhadores, empresários e setores produtivos para buscar um equilíbrio entre qualidade de vida dos empregados e manutenção da competitividade econômica.

Para o agronegócio, a discussão envolve uma questão estratégica: como garantir melhores condições de trabalho sem comprometer a eficiência de um setor responsável por grande parte das exportações brasileiras, da geração de empregos e da produção de alimentos.

O debate está apenas começando, mas já sinaliza uma das discussões econômicas mais relevantes para o agro brasileiro nos próximos meses.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Por: Redação

Artigos Relacionados: