O agronegócio brasileiro voltou a demonstrar força em um cenário de desafios econômicos, climáticos e estruturais. Dados divulgados nesta sexta-feira mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026, desempenho que ajudou a impulsionar o resultado positivo da economia nacional no período. No acumulado do trimestre, o PIB brasileiro avançou 1,1%, com o agro respondendo por cerca de 7% de toda a riqueza produzida no país.
O resultado reforça o peso estratégico do campo para a economia brasileira, especialmente em um momento marcado por juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito, gargalos logísticos e aumento dos custos de produção. Enquanto diversos setores enfrentam desaceleração, a agropecuária voltou a apresentar crescimento acima da média nacional.

A senadora Tereza Cristina destacou que o desempenho do setor evidencia, mais uma vez, a capacidade de resistência do produtor rural brasileiro diante das adversidades.
“Apesar de todas as dificuldades, o agro segurou, mais uma vez, o PIB brasileiro, que veio positivo em 1,1% nesse trimestre. A agropecuária cresceu o dobro da indústria e quatro vezes mais do que o setor de serviços”, afirmou a senadora.
Na avaliação dela, o resultado deveria servir de alerta para que o governo federal olhe com mais atenção para as demandas estruturais do setor. Segundo Tereza Cristina, o crescimento do agro não acontece por acaso, mas sim pela capacidade de adaptação, eficiência e produtividade do produtor rural brasileiro, mesmo em condições muitas vezes desfavoráveis.
“Um resultado que deveria levar o governo a valorizar o agronegócio. Precisamos de políticas adequadas de crédito, seguro rural e investimentos na logística para armazenamento e transporte”, acrescentou.
Os pontos levantados pela senadora refletem preocupações recorrentes dentro do setor. O crédito rural, por exemplo, tem sido um dos principais desafios enfrentados pelos produtores nos últimos anos. Com juros elevados e maior seletividade bancária, muitos agricultores e pecuaristas encontram dificuldades para financiar custeio, investimento e expansão da produção.
Outro ponto citado por Tereza Cristina é o seguro rural, considerado uma ferramenta essencial diante do aumento da instabilidade climática. Secas prolongadas, excesso de chuvas e oscilações climáticas têm ampliado os riscos no campo, tornando o seguro cada vez mais importante para garantir previsibilidade e proteção financeira ao produtor.
A questão logística também segue como um gargalo histórico do agronegócio brasileiro. Apesar dos avanços em infraestrutura nos últimos anos, o setor ainda enfrenta limitações em armazenagem, estradas, ferrovias e portos, fatores que elevam custos e reduzem competitividade, principalmente para produtores localizados longe dos grandes centros de exportação.
Mesmo diante desse cenário, o campo segue sustentando parte importante da economia nacional. O desempenho positivo da agropecuária no início de 2026 reforça a resiliência do produtor rural brasileiro, que continua produzindo, investindo e movimentando a economia mesmo em meio às incertezas do mercado e às dificuldades estruturais do país.
Mais do que números, o crescimento do agro no PIB representa a capacidade do setor de continuar avançando em produtividade, tecnologia e eficiência, mantendo o Brasil entre os maiores produtores de alimentos do mundo.





