A semeadura da canola no Rio Grande do Sul está sendo favorecida pelas condições de tempo seco e pela adequada trafegabilidade nas lavouras. A operação segue em todas as regiões produtoras e se aproxima da conclusão em algumas áreas, embora a persistência de baixa umidade no solo tenha desacelerado o ritmo da implantação e condicionado a emergência das plantas.
De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (28), as lavouras de canola já estabelecidas se encontram em desenvolvimento vegetativo inicial. A tendência é de grande expansão de área de cultivo, impulsionada por alternativas economicamente mais atrativas e pela diversificação dos sistemas de produção de inverno.
A área a ser cultivada com canola no Estado está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A semeadura do trigo está em fase inicial, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. As condições de tempo seco favoreceram as operações de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras.
O cenário do trigo para a safra 2026 sinaliza redução expressiva da área cultivada, em relação ao ciclo anterior, devido à combinação de fatores, como elevados custos de produção, baixa atratividade econômica do cereal e aumento da percepção de risco produtivo, associado à atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
Contudo, a semeadura é antecipada em parte de áreas não vinculadas a financiamentos ou cobertura securitária, como estratégia para posicionar as fases de florescimento e de enchimento de grãos antes da intensificação das precipitações primaveris.
Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
A semeadura avançou nas principais regiões produtoras, favorecida pelas condições adequadas de solo e pelo predomínio de tempo seco. As primeiras lavouras implantadas apresentam estabelecimento, estande de plantas e desenvolvimento vegetativo satisfatórios, além de baixa incidência de pragas e doenças.
Entretanto, observa-se maior cautela dos produtores quanto ao nível de investimento tecnológico empregado na cultura, em razão da elevação dos custos de fertilizantes e demais insumos. A cultura apresenta tendência de manutenção ou pequena elevação da área cultivada no Estado em relação à safra anterior.
Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.
A cultura da cevada apresenta perspectiva de redução significativa de área cultivada no Estado para a Safra 2026, estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. Essa retração decorre do aumento da percepção de risco climático de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, mesmo com a manutenção de oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira.
Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha. As áreas já implantadas apresentam estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo adequados.
A colheita da soja se encontra em fase final no Estado, alcançando 99% da área cultivada. A predominância de tempo seco e de boa trafegabilidade favoreceram o avanço das operações e a conclusão da colheita na maior parte das regiões produtoras.
A produtividade segue bastante heterogênea devido à época de semeadura, ao regime hídrico ao longo do ciclo e ao potencial das lavouras implantadas tardiamente. Em áreas submetidas a déficit hídrico mais intenso, especialmente em solos rasos ou arenosos, ocorreram perdas significativas. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.
A colheita apresentou avanço pouco significativo, permanecendo, em média, em 96% da área cultivada. Restam lavouras de safrinha e cultivos implantados nos períodos tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que estão em maturação (4%).
Os produtores iniciaram o planejamento da próxima safra de milho, incluindo a implantação de plantas de cobertura e de adubação verde, além de realizarem a avaliação dos custos de produção, especialmente com fertilizantes. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média estadual em 7.424 kg/ha.
Já a colheita do milho silagem está praticamente concluída no RS, alcançando 98% da área cultivada. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares, e produtividade média de 37.840 kg/ha.
A colheita alcançou 57% da área cultivada no Estado. As lavouras em maturação representam 37% e em enchimento de grãos 6%. O predomínio de temperaturas baixas e a ocorrência de geadas influenciaram o desenvolvimento final da cultura, sobretudo nos cultivos tardios.
O frio também contribuiu para diminuir o ritmo de desenvolvimento das plantas e acelerar a maturação fisiológica em parte das áreas atingidas. A Emater/RS-Ascar projeta área de 11.690 hectares, e produtividade média de 1.401 kg/ha.
A colheita do arroz irrigado está tecnicamente concluída no Estado. Faltam apenas áreas pontuais de implantação tardia e em pequenas propriedades com limitações operacionais.
De maneira geral, os resultados consolidados da safra indicam desempenho produtivo satisfatório, com produtividades finais superiores às estimativas iniciais em diversas regiões produtoras. Em contrapartida, o cenário de comercialização permanece desfavorável, marcado por cotações inferiores às observadas no ciclo anterior e abaixo da média histórica de preços.
A área cultivada, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), é de 891.908 hectares, e a produtividade projetada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 kg/ha.





