• Segunda-feira, 18 de maio de 2026

Brasil lidera a oferta mundial de soja certificada, que já ultrapassa 10 milhões de toneladas

Volume global de grãos com selo socioambiental rompe marca histórica, impulsionado pelas exigências rígidas de mercados internacionais e pelo protagonismo absoluto do campo brasileiro na produção de soja certificada

A produção global de soja certificada pela Round Table on Responsible Soy (RTRS) atingiu um marco histórico ao romper a barreira de 10 milhões de toneladas. Impulsionado pela exigência internacional por critérios rígidos de sustentabilidade, o setor consolidou o Brasil como o protagonista absoluto e principal fornecedor global do grão com selo de responsabilidade socioambiental.

O avanço reflete uma transformação estrutural no campo, onde a adoção de práticas agrícolas rastreáveis responde diretamente à pressão dos mercados consumidores e ao engajamento das indústrias de alimentos e de ração animal. Acompanhando o salto na oferta, o consumo mundial da oleaginosa certificada registrou uma alta de 9,5%, alcançando o volume de 8,1 milhões de toneladas. Atualmente, a rede global da RTRS conecta mais de 84 mil produtores a uma malha integrada de armazenadoras, portos e indústrias.

Brasil concentra a hegemonia na produção de soja certificada

Os dados oficiais da RTRS apontam que a produção mundial mapeada chegou a 10,3 milhões de toneladas, com o campo brasileiro liderando a listagem com ampla vantagem. O país conta com 220 unidades produtoras homologadas, o que representa 77% de toda a área certificada no planeta e expressivos 83% do volume global de soja certificada.

Enquanto a produção se divide timidamente com outros países — como Argentina, Paraguai, Uruguai, Índia e Uganda —, o polo consumidor do grão responsável permanece fortemente concentrado na Europa. Nações como Holanda e Dinamarca lideram a procura devido a legislações ambientais severas e metas corporativas de descarbonização.

Para sustentar esse fluxo comercial, a cadeia de custódia foi expandida com a certificação de 17 novas organizações e 41 novos complexos industriais e logísticos, otimizando o escoamento em pontos estratégicos da América do Sul e da Ásia. Paralelamente, o modelo sustentável ganhou tração em outras culturas: a produção certificada de milho cresceu 17%, atingindo 5,4 milhões de toneladas.

Desafios de mercado e a valorização da soja certificada

Apesar dos recordes produtivos, o setor ainda enfrenta gargalos para massificar o consumo. De acordo com Alvaro A. P. Queiroz, gerente de Desenvolvimento de Mercado Brasil da RTRS, o principal entrave está em engajar os grandes compradores finais a absorverem a soja certificada em larga escala.

“A cadeia da soja é longa e complexa, e o consumidor final não percebe claramente sua presença nos produtos. Como resultado, a percepção de valor da soja certificada é baixa, limitando a captura de prêmio ao longo da cadeia”, explica Queiroz.

Outro ponto de atenção reside nos produtores de médio e pequeno porte, que encontram barreiras no custo financeiro da adesão e na falta de suporte técnico sobre as etapas de auditoria. Por outro lado, o executivo pondera que o agricultor brasileiro larga em vantagem, uma vez que a rígida legislação ambiental e trabalhista do Brasil já exige o cumprimento de grande parte dos requisitos internacionais da RTRS.

Olhando para o futuro, a entidade mapeia oportunidades claras de expansão em mercados emergentes, como o Sudeste Asiático, e em setores em forte expansão, a exemplo da aquacultura. A tendência é que a busca pela certificação acelere globalmente à medida que métricas de pegada de carbono e exigências de rastreabilidade ponta a ponta passem de diferenciais de mercado para obrigações comerciais.

Por: Redação

Artigos Relacionados: