A segurança sanitária dos rebanhos brasileiros depende de uma combinação entre ciência aplicada, capacidade produtiva e monitoramento contínuo das doenças animais. Em um cenário em que a sanidade bovina influencia diretamente a produtividade agropecuária, o abastecimento alimentar e a competitividade do país no mercado internacional, instituições públicas de pesquisa têm ampliado investimentos em inovação e infraestrutura laboratorial.
Nesse contexto, o Laboratório de Inovação em Imunobiológicos do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem fortalecido a produção nacional de kits para diagnóstico de brucelose e tuberculose bovina com apoio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag). Os imunobiológicos produzidos pela instituição são utilizados em todo o território nacional e atendem às demandas do Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
De acordo com o médico-veterinário e responsável técnico do Laboratório de Inovação em Imunobiológicos, Ricardo Spacagna Jordão, desde 2021 já foram produzidos cerca de 30 milhões de kits, distribuídos a empresas fornecedoras e posteriormente comercializados para médicos-veterinários credenciados pelo MAPA em diferentes regiões do país. Segundo ele, embora os imunobiológicos utilizados atualmente tenham sido desenvolvidos há mais de 50 anos, os processos produtivos vêm sendo constantemente modernizados para ampliar a qualidade, a eficiência e a segurança dos diagnósticos.
“O que fazemos hoje é aplicar novas tecnologias na produção para garantir maior pureza, rastreabilidade e confiabilidade dos resultados. Quando um animal apresenta resultado positivo, ele precisa seguir os protocolos sanitários estabelecidos pelo programa oficial do Ministério”, explica Jordão.
O especialista destaca que a tecnologia empregada pelo laboratório utiliza proteínas purificadas produzidas a partir de bactérias, permitindo identificar animais infectados sem causar riscos sanitários. 
“As bactérias produzem proteínas que simulam uma infecção real no organismo do animal. Quando inoculamos apenas essa proteína purificada, sem capacidade de causar doença, conseguimos identificar se o animal teve contato com o agente infeccioso. O diagnóstico pode ser realizado tanto por inoculação quanto por análise sorológica”, afirma.
O modelo adotado pelo Instituto Biológico contribui para aumentar a precisão dos diagnósticos e fortalecer o monitoramento sanitário dos rebanhos brasileiros, reduzindo os riscos de disseminação da brucelose e da tuberculose bovina. Além de representarem uma ameaça à saúde pública por serem zoonoses, essas doenças também impactam a produtividade da pecuária e podem gerar restrições comerciais para a exportação de carne e leite, além de limitar o trânsito de animais entre estados.
Fundepag fortalece infraestrutura laboratorialPara Jordão, a parceria com a Fundepag permitiu ampliar a capacidade operacional do Laboratório de Inovação em Imunobiológicos, incluindo melhorias estruturais, manutenção de equipamentos, contratação de profissionais e expansão da produção.
“A Fundepag passou a apoiar os projetos justamente para ampliar nossa capacidade produtiva e viabilizar novos kits diagnósticos. Esse suporte contribui para reformas de infraestrutura, manutenção da operação laboratorial e fortalecimento das atividades técnicas e industriais desenvolvidas pelo Instituto Biológico”, finaliza.





