• Quinta-feira, 21 de maio de 2026

Boi gordo vai subir? Possível acordo com China reacende otimismo e pode mudar rumo do mercado

Rumores de flexibilização das salvaguardas chinesas durante a SIAL Xangai sustentam preços futuros da arroba, mesmo com pressão no mercado físico do boi gordo e avanço das escalas de abate

O mercado do boi gordo voltou a ganhar atenção nesta semana após sinais de possível flexibilização das medidas de salvaguarda adotadas pela China sobre a importação de carne bovina. Enquanto o mercado físico ainda enfrenta pressão causada pelo aumento da oferta de animais e pelo avanço das escalas de abate, os contratos futuros da arroba registraram forte recuperação na B3, refletindo o otimismo do setor exportador diante das negociações em andamento durante a SIAL Xangai, considerada a maior feira de alimentos do mundo.

O movimento ocorre em um momento estratégico para a pecuária brasileira. Fontes ligadas ao setor avaliam que o Brasil pode conquistar espaço adicional dentro das cotas chinesas de importação, aproveitando volumes não preenchidos por outros países exportadores, como Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia. A possibilidade passou a sustentar o mercado futuro da arroba e trouxe novo ânimo aos pecuaristas.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as negociações entre autoridades brasileiras e representantes chineses estão concentradas justamente na construção desse modelo de flexibilização. A expectativa é que o Brasil consiga absorver parte dessas cotas remanescentes, aumentando sua competitividade dentro do mercado asiático.

Mercado físico ainda sente pressão da oferta

Apesar do otimismo vindo do mercado externo, o cenário interno ainda apresenta sinais de pressão baixista. O avanço da oferta de animais terminados segue aumentando a disponibilidade de gado para abate, o que amplia o conforto das indústrias frigoríficas nas escalas e reduz a necessidade de disputar lotes no mercado físico.

Na praça paulista, por exemplo, a Scot Consultoria registrou queda de R$ 3/@ tanto para o boi gordo comum quanto para o chamado “boi-China”. As cotações passaram a girar em torno de R$ 345/@ para o animal sem padrão-exportação e R$ 350/@ para o boi destinado ao mercado chinês, ambos em valores brutos e a prazo.

Mesmo assim, consultorias observam que o mercado físico encontrou certa estabilidade em várias regiões monitoradas. Segundo levantamento da Agrifatto, o boi comum em São Paulo permaneceu em R$ 345/@, enquanto o boi-China alcançou R$ 355/@ em negociações a prazo.

Além da maior oferta, o consumo doméstico enfraquecido também segue limitando reações mais fortes no físico. O atacado da carne bovina apresenta acomodação nos preços, principalmente na segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado pela retração no consumo das famílias brasileiras.

Fernando Henrique Iglesias destaca ainda que a carne bovina enfrenta perda de competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que continua mais acessível ao consumidor brasileiro.

Os preços no atacado seguem nos seguintes patamares:

  • Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 20/kg
  • Mercado futuro reage com força na B3

    Se no físico o cenário ainda é de cautela, na bolsa o comportamento foi completamente diferente. Os contratos futuros do boi gordo registraram forte recuperação na sessão da B3, impulsionados justamente pelos rumores envolvendo a China.

    O destaque ficou para o vencimento de junho de 2026, cotado a R$ 345,45/@, avanço de 2,49% em relação ao fechamento anterior.

    Outros contratos também encerraram o pregão em alta:

  • Julho/26: R$ 344,60/@
  • Agosto/26: R$ 344,85/@
  • Setembro/26: R$ 346,20/@
  • Outubro/26: R$ 354,85/@
  • Na avaliação da Agrifatto, o mercado futuro passou a precificar um possível ganho de competitividade da carne bovina brasileira caso a flexibilização das salvaguardas realmente avance.

    Os analistas afirmam que a possibilidade de aproveitamento das cotas não preenchidas por outros exportadores “melhorou o humor do mercado e deu sustentação aos negócios futuros”.

    China volta ao centro das atenções da pecuária brasileira

    A China permanece como principal fator de influência para o mercado pecuário brasileiro em 2026. Qualquer sinal relacionado às importações chinesas provoca impacto imediato sobre os preços da arroba, especialmente no mercado futuro.

    Durante a SIAL Xangai, representantes do setor produtivo e integrantes do governo brasileiro intensificaram as negociações para ampliar o espaço da carne brasileira dentro do mercado asiático. A expectativa entre participantes da feira é de que um eventual anúncio positivo possa fortalecer ainda mais os preços nos próximos dias.

    Mesmo diante da melhora no sentimento do mercado, as consultorias mantêm cautela. A Agrifatto avalia que o embate entre a pressão de oferta no físico e o otimismo externo ainda deve continuar nas próximas semanas, embora o viés de curto prazo permaneça atento aos desdobramentos envolvendo a China.

    Abates seguem em níveis historicamente elevados

    Outro ponto que chamou atenção do mercado nesta semana foi a divulgação dos dados preliminares da Pesquisa Trimestral de Abate (PTA), divulgada pelo IBGE.

    Segundo análise da Agrifatto, apesar da queda de 6,83% frente ao trimestre anterior, o volume abatido no primeiro trimestre de 2026 cresceu 3,27% na comparação anual, registrando o maior primeiro trimestre da série histórica.

    A consultoria destacou ainda que a oferta ficou acima das expectativas do mercado, com resultado consolidado 4,94% superior às projeções iniciais para o período.

    Esse cenário reforça a percepção de maior disponibilidade de animais no mercado interno, fator que continua limitando movimentos mais agressivos de alta no mercado físico da arroba.

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    Por: Redação

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