O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, nesta quinta-feira (23), o prefeito de Guanhães, Evandro Lott Moreira (Republicanos), por ameaçar a ex-mulher de morte. O político estava preso preventivamente desde o último dia 1º e responderá pelos crimes de ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse de arma de fogo.
Conforme o MPMG, as ameaças teriam ocorrido entre agosto de 2025 e março deste ano. Evandro Lott Moreira teria ameaçado a ex-companheira, com quem teve um relacionamento de 13 anos, de morte por estar inconformado com o término do relacionamento, em fevereiro do ano passado.
“A denúncia foi apresentada à Justiça pela Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária (PCO) no último dia 13 de abril. A PCO é um órgão do MPMG que atua por delegação do Procurador-geral de Justiça em processos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, focando em crimes cometidos por agentes públicos com foro especial. Suas atribuições incluem investigar, instruir e propor ações penais”, informa o MPMG em nota.
Além da denúncia, o Ministério Público pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva o desmembramento das investigações para apuração de outros possíveis crimes, dentre eles, feminicídio tentado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, rachadinha, abuso de autoridade e uso indevido de bens e serviços custeados pelo município.
De acordo com as investigações, o prefeito de Guanhães teria enviado à vítima uma imagem de arma de fogo por meio de um aplicativo de mensagens. Em outro momento, em conversa gravada pela mulher, ele teria declarado que não aceitaria a separação e que ela “não seria de mais ninguém”.
Além disso, conforme relato de uma testemunha, o agressor teria proferido grave ameaça de morte, declarando textualmente: “por qualquer 20 ou 30 mil eu sumo com ela e com ele, pois já pesquisei a vida dele toda”, referindo-se à vítima e ao atual companheiro dela.
Segundo o MPMG, o denunciado “perseguiu a vítima, sua ex-companheira e ex-cônjuge, perturbando-lhe a liberdade e a privacidade”, além de restringir sua capacidade de “locomoção e autodeterminação, mediante vigilância constante, ameaças e monitoramento de seus movimentos”.
A perseguição teria sido intensificada mediante utilização de funcionários públicos subordinados ao denunciado e, conforme uma testemunha, por meio da utilização de equipamentos de vigilância (drones).
O órgão aponta ainda que o denunciado causou dano emocional à ex-companheira, com condutas caracterizadoras de violência psicológica. “Inicialmente, após descobrir que a então companheira desejava o divórcio, no ano de 2024, durante sua campanha política, o denunciado a pressionou para que não deixasse a residência e não tornasse pública a intenção de separação, alegando necessitar do apoio de igrejas evangélicas durante o período eleitoral”, continua a nota.
“De forma extremamente grave, o agressor passou a utilizar em sua campanha política os abusos sexuais sofridos pela vítima durante a infância e adolescência, expondo-a publicamente, causando-lhe profundo constrangimento e sentimento de exposição”, destaca a PCO na denúncia.
Ainda conforme a denúncia, o prefeito obrigava a ex-mulher a manter a aparência pública de que ainda estariam em um relacionamento, mesmo após a separação. Ele, conforme a denúncia, oferecia medicamentos a ela quando a mulher apresentava crises de choro e afirmava a terceiros que ela estaria “louca”.
“Ele demonstrou periculosidade concreta ao submeter a vítima a regime de ‘cárcere psicológico’ e violência sistemática, demonstrando inclinação à manipulação de provas (coação de testemunhas para assumirem posse de armas de fogo) e ao uso de seu poder econômico e político para obstruir a justiça. Além disso, o comportamento de constante esquiva e a fuga do investigado durante as buscas evidenciam o risco real de que venha a se furtar à aplicação da lei penal”, ressalta a denúncia.





