• Sexta-feira, 17 de abril de 2026

Após 20 anos de espera, produtores de SC podem exportar maçã por portos catarinense

Maçãs já podem ser certificadas em São Joaquim e Fraiburgo e prosseguir para transporte até o importador por meio dos portos catarinenses

A exportação da maçã deve ficar mais fácil para os produtores catarinenses. Agora, após 20 anos de espera, as maçãs podem ser certificadas em São Joaquim e Fraiburgo e prosseguir para transporte até o importador por meio dos portos catarinenses.

Segundo informações da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), as frutas devem ser certificadas por auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) antes de serem transportadas.

Com isso, os produtores do Estado podem escolher embarcar a carga pelo Porto de Imbituba, o mais próximo da Serra catarinense. Além dos ganhos pelo corte de custos, a redução do tempo de espera em terminal portuário representa mais dias de vida útil para a carga, que é perecível, sendo mais uma vantagem competitiva para a produção de Santa Catarina.

De acordo com a Cidasc, antes as empresas precisavam levar a carga de maçãs até Vacaria, no Rio Grande do Sul, para passar por essa avaliação. Outra alternativa era levar a carga até o porto de Itajaí e aguardar a certificação fitossanitária. As duas opções geravam mais custo aos produtores, seja com o transporte ou com as diárias para manter o container armazenado.

— Faz 20 anos que os produtores pediam isso. Não tinha sentido Santa Catarina ser o maior produtor de maçã do Brasil e mandar a carga pro estado vizinho. Isso atrasava a exportação, era mais uma burocracia pra vencer—  destacou o governador Jorginho Mello.

Em São Joaquim, um dos principais polos do cultivo, cerca de 530 toneladas locais da fruta já foram certificadas nesta safra. Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, essa mudança na certificação representa um avanço importante para a competitividade do setor.

— Com essa descentralização no processo de certificação da maçã, reduzimos custos logísticos, ganhamos eficiência e ampliamos a qualidade do produto que chega ao mercado internacional. É uma conquista construída em parceria, que fortalece toda a cadeia produtiva e impulsiona ainda mais a economia de Santa Catarina— afirmou.

Santa Catarina é responsável por mais da metade da produção nacional de maçãs, de mais de um milhão de toneladas por ano, de acordo com a Cidasc. Nesta safra, a estimativa é colher mais de 265 mil toneladas de maçã gala e mais de 234 mil toneladas da variedade fuji. Além do aumento no volume, a qualidade das frutas também é superior à registrada na safra anterior.

A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) calcula que o consumo doméstico da fruta in natura é em torno de 750 mil toneladas por ano. A exportação é importante para os produtores e a Associação estima que as vendas ao exterior poderiam ser ainda maiores em 2026, se não fosse o conflito em curso no Oriente Médio, que pode impactar alguns negócios.

A safra de maçã 2025-2026, que começou a ser colhida em Santa Catarina, deverá ter produção 27,9% maior que a anterior. A estimativa é do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) que faz o acompanhamento da produção no estado.

As projeções são de que a colheita poderá alcançar até 615 mil toneladas, o que amplia a oferta nacional. As duas últimas safras de maçã tiveram queda de produção e função de problemas climáticos como excessos de chuvas e de calor.

As regiões catarinenses que mais produzem maçãs são os Campos de Lages, Joaçaba e Curitibanos. Os Campos de Lages lideram a produção com os municípios de São Joaquim (58,58%), Bom Jardim da Serra (10,07%), Urubici (4,83%) e Urupema (4,30%).

A região de Joaçaba responde por 11,2% da produção, a de Curitibanos, 5,6%. Elas sediam os municípios de Fraiburgo (10,87%), Monte Carlo (3,78%) e Painel (2,90%).

Por: NSC Total

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