• Segunda-feira, 30 de março de 2026

Alta dos fertilizantes pressiona agro e setor cobra ação urgente do governo federal

Sindiadubos-PR estima queda de até 15% no mercado nacional de fertilizantes em 2026 por conta das guerras no Irã e na Ucrânia, cobrança de PIS/COFINS e MP do frete mínimo.

Sindiadubos-PR estima queda de até 15% no mercado nacional de fertilizantes em 2026 por conta das guerras no Irã e na Ucrânia, cobrança de PIS/COFINS e MP do frete mínimo. Se já não bastassem os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado global de fertilizantes, mais dois componentes domésticos agravam ainda mais o cenário do agronegócio brasileiro: a tributação de PIS/COFINS sobre fertilizantes a partir de 1º de abril, por conta da Lei da Reforma Tributária; e a Medida Provisória (MP) 1343/2026, sobre o frete mínimo. O alerta é do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR), que defende intervenções urgentes do Governo Federal com o intuito de impedir novos reajustes de insumos agrícolas e, consequentemente, nos preços dos alimentos. Depois do recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues no Brasil em 2025, a expectativa para esse ano é de retração. “O mercado brasileiro de fertilizantes pode reduzir entre 10% e 15% em 2026 devido aos altos custos e dificuldades logísticas nos portos decorrentes das guerras na Ucrânia e no Irã. Além disso, o início da cobrança do PIS/COFINS, que era isento e vai representar um aumento de 2%, e a nova tabela de frete estão dificultando a situação dos agricultores, elevando os custos de produção”, destaca o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz. Segundo ele, a expectativa é que os conflitos geopolíticos globais e as questões tributária e fiscal nacionais reduzam a produção e aumentem os preços dos alimentos. “As importações de fertilizantes estão apresentando uma queda no primeiro quadrimestre; enquanto as empresas temem o alto custo atual, os agricultores preferem adiar a compra, esperando alguma melhora no futuro”, observa. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});De acordo com Aluísio, deve haver redução no uso de fertilizantes no mundo devido ao alto custo. No Brasil, devido às últimas excelentes safras houve um esgotamento das reservas de fertilizantes no solo, fazendo com que a redução de adubação seja substituída por redução de área e, como consequência, diminuição na produção de alimentos, o que inevitavelmente fará com que o consumidor pague a conta através do aumento de preços, avalia. “A diminuição da produção, se ocorrer, deve levar à subida dos preços de soja, milho, frango, carne bovina, açúcar, café… no mundo inteiro. A equação final é sobrepreço”, sinaliza. Cenário global O fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, pode resultar na perda de 5 milhões de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados. Essa estimativa é para um mês de interrupção, já que o local é responsável pela saída de cerca de 40% de todo o enxofre mundial — insumo essencial para produção dos fosfatados solúveis. Soma-se a isso o fato de que o preço do enxofre aumentou significativamente antes da guerra em razão da forte competição no mercado para produção de baterias. Além dos fatores já citados, o Brasil está sendo impactado ainda com uma queda acentuada na importação de fosfatados chineses devido a proibições de exportação por aquele governo. “Não é esperada uma queda nos preços dos fertilizantes a curto prazo, mesmo que a guerra termine”, observa o presidente do Sindiadubos-PR. Na avaliação dele, embora o Brasil tenha tempo para importar fertilizantes para a safra de soja que começa em setembro, os grandes volumes de importação retidos podem resultar em longas filas nos portos, podendo causar atrasos no plantio. “Plantas produtoras no mundo estão sendo afetadas pelos conflitos entre Ucrânia e Rússia e Israel e Irã, e a retomada da produção leva tempo, indicando uma grande dificuldade de abastecimento para vários produtos”, comenta Aluísio. A escassez na oferta de gás levou a Índia, grande produtora de ureia, a reduzir sua produção de ureia. Por sua vez, a Rússia proibiu a exportação de nitrato de amônia, do qual o Brasil importa cerca de 2 milhões de toneladas anuais. Com o aumento do preço do petróleo, que elevou os fretes internacionais, o potássio, que vinha apresentando estabilidade de preço, também já registrou altas. “Há preocupação quanto a um possível desabastecimento, que até hoje nunca ocorreu, mas a expectativa é que o mercado se ajuste, elevando os preços, e os agricultores reduzam o uso de fertilizantes”, pondera o presidente do Sindiadubos-PR. Pauta federal Enquanto o fim das guerras é considerado fundamental para normalizar a oferta e o fluxo de fertilizantes no mercado global, as entidades de classe estão mobilizadas em tratativas com o Governo Federal para mitigar os riscos de mais prejuízos ao agronegócio brasileiro. O Sindiadubos-PR, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA) — que atua em Brasília à frente do Instituto Pensar Agropecuário (IPA), em parceria com a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) — estão trabalhando em conjunto para sensibilizar a União a adiar a cobrança do PIS/COFINS, rever os critérios da tabela do frete mínimo e negociar com o governo chinês a reabertura urgente das exportações de fosfatados para o Brasil, um dos maiores exportadores de soja para a China. “Apesar das críticas com relação à importação de certos fosfatados da China, que somaram mais de 2 milhões de toneladas no ano passado, a resposta no campo foi uma safra recorde, dirimindo qualquer dúvida com relação a estes fertilizantes”, destaca Aluísio. Caso as proibições da China continuem neste ano, ele projeta que o agricultor pagará preços muito maiores sem os fosfatados chineses. VEJA TAMBÉM:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
    Por: Redação

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