A Brasilagro não pretende iniciar um programa de recompra de ações no curto prazo, apesar do desconto dos papéis na bolsa. A companhia considera mais vantajoso usar recursos para reduzir o endividamento, segundo o CEO André Guillaumon.
Durante conversa com jornalistas sobre os resultados financeiros, o executivo afirmou que a empresa compara três alternativas para a alocação de capital: comprar propriedades rurais, recomprar as próprias ações ou amortizar dívidas. Na avaliação dele, o pagamento dos débitos oferece atualmente o melhor retorno, considerando o custo de capital e as perspectivas para os juros de longo prazo.
Guillaumon estimou que novos projetos de aquisição de terras apresentam taxa interna de retorno (TIR) entre 6% e 7%. Já a redução da dívida proporcionaria retorno aproximado de 9% a 10%, descontada a inflação.
“Se eu fizer uma TIR de cada negócio, comprar uma fazenda, recomprar a ação e pagar dívida, não tenho dúvida de que a melhor TIR hoje é a redução do endividamento”, afirmou.
A companhia encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com dívida líquida ajustada de R$ 136,3 milhões, queda de 51% em relação aos R$ 280,5 milhões registrados em junho. A relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda dos últimos 12 meses caiu de 2,82 vezes para 1,05 vez.
Recompra depende de queda maior dos papéis
O CEO reconheceu que as ações da Brasilagro sofreram com a volatilidade recente do mercado, principalmente no dia seguinte às eleições para presidente. Segundo ele, os papéis recuaram entre 16% e 17%, enquanto ações de construtoras e empresas industriais chegaram a cair de 40% a 45%. Ele afirmou que os ativos da companhia já apresentavam alguma recuperação.
Na avaliação do executivo, uma queda mais acentuada poderia tornar a recompra mais atrativa. Com o nível atual das ações e o retorno esperado com a redução da dívida, porém, a empresa não vê justificativa para iniciar o programa.
“Estamos monitorando, mas não temos isso no radar para recomprar no curto prazo”, disse.
A Brasilagro continua acompanhando oportunidades de aquisição de propriedades rurais, especialmente diante de sinais de estresse financeiro no setor. A estratégia depende, contudo, da identificação de ativos com retorno compatível com o custo de capital. Para Guillaumon, a alta dos juros de longo prazo reduz a atratividade de novos investimentos e exige maior disciplina na aplicação dos recursos.
O executivo disse ainda que a recuperação das ações dependerá da trajetória da curva de juros e das expectativas para o resultado operacional. Na avaliação dele, a recuperação das cotações internacionais da soja e a desvalorização cambial podem favorecer os resultados do agronegócio, embora a companhia mantenha a prioridade na redução do endividamento.
