O Brasil deve entrar em recessão em 2027, com risco de estagflação, segundo avaliação de João Peixoto, CEO da Ouro Preto Investimentos. Para o executivo, a combinação de juros elevados, descontrole fiscal e fatores externos deverá pressionar empresas, famílias e o mercado de crédito privado.

Em entrevista ao InfoMoney, Peixoto afirmou que a desaceleração pode não ocorrer no início do ano, mas deverá aparecer a partir de meados de 2027. A avaliação é uma projeção do executivo, que considera que o país enfrentaria uma crise independentemente do resultado das eleições.

Na análise, o ambiente internacional adiciona riscos à economia brasileira. Peixoto mencionou a continuidade das guerras na Ucrânia e no Irã, a possibilidade de uma nova crise do petróleo e a desaceleração da China, com efeitos sobre os preços de minério e produtos agrícolas.

Juros altos ampliam pressão sobre empresas e famílias

O CEO disse que empresas e famílias endividadas continuarão recorrendo ao crédito para rolar dívidas, mas encontrarão condições mais difíceis por causa das taxas elevadas. Ele também afirmou que algumas companhias já reduziram a contratação de crédito por terem chegado ao limite de endividamento.

Para Peixoto, um ajuste fiscal baseado principalmente em aumento de impostos teria efeito limitado. Na avaliação dele, a carga tributária já está alta e novas elevações poderiam reduzir a arrecadação. O executivo defendeu medidas para elevar a produtividade e uma nova reforma da Previdência, mas espera um ajuste mais moderado das contas públicas, sem cortes relevantes de despesas.

Esse cenário, segundo ele, manteria os juros reais em patamar alto. Embora defenda a redução da taxa, Peixoto afirmou que o governo precisaria demonstrar responsabilidade fiscal antes de uma queda mais consistente. Ele também não vê razão para o Banco Central flexibilizar a política monetária no curto prazo, mesmo diante de eventual mudança na diretoria da instituição.

FIDCs devem crescer, mas com mais cautela

Peixoto estima que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, continuarão avançando em 2027 mesmo com a economia retraída. O crescimento, segundo ele, viria da migração de operações dos bancos para o mercado de capitais e da busca por rentabilidade em um ambiente de juros altos, e não de uma expansão da atividade econômica.

O executivo recomendou que investidores priorizem papéis de primeira linha de bancos e selecionem cuidadosamente os FIDCs. A orientação inclui diversificar os recursos e evitar a concentração em um único fundo, diante da possibilidade de aumento da inadimplência.

Na comparação com outras aplicações, Peixoto afirmou que os títulos públicos permanecem mais vantajosos no momento, por oferecerem taxas de juros elevadas. Ele também avaliou que o crédito privado pode parecer mais atrativo no curto prazo, mas terá custos maiores no longo prazo caso a economia entre em retração.

Entre os setores que considera mais expostos, o executivo citou o varejo tradicional, as instituições financeiras e o agronegócio. O varejo enfrentaria a concorrência de sites internacionais; os bancos, a retração do mercado de capitais e a inadimplência; e o agronegócio, a desaceleração chinesa, os custos de fertilizantes e combustíveis, o endividamento e os efeitos do El Niño.

A Ouro Preto espera ampliar em cerca de 30% o patrimônio sob gestão em 2026 e repetir um crescimento semelhante em 2027. A gestora também pretendia concluir, até o fim de 2026, novas operações de FIDCs próximas de R$ 1 bilhão, dependendo do apetite dos investidores após as eleições.

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