• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Viúva de vítimas do submarino Titan diz que recebeu restos mortais em caixas de 'sapato'

Christine Dawood, que perdeu marido e filho na expedição ao Titanic, afirma que material foi entregue nove meses depois, após identificação por DNA

Três anos após a tragédia da OceanGate, em 18 de junho de 2023, a esposa e mãe de dois ocupantes do submarino revelou que recebeu os restos mortais dos familiares apenas nove meses depois, em pequenas caixas, semelhantes a caixas de sapato.

Christine Dawood era casada com Shahzada Dawood, de 48 anos, e mãe de Suleman, de 19, que morreram junto com outros três ocupantes durante uma expedição aos destroços do Titanic.

"Bem, quando digo corpos, quero dizer a lama que sobrou. Eles vieram em duas caixas pequenas, parecidas com caixas de sapatos". Segundo Dawood, a lama citada são os restos mortais que foram recuperados do fundo do mar, separados e testados quanto ao DNA pela Guarda Costeira dos EUA.

“Não encontraram muita coisa. Eles têm uma pilha enorme que não conseguem separar, tudo com DNA misturado, e me perguntaram se eu queria um pouco daquilo também. Mas eu disse que não, só o que vocês sabem que é o Suleman e o Shahzada", completou;

A mulher também relembrou sobre os momentos antes de tudo acontecer. A entrevista aconteceu para o jornal inglês The Guardian, nesse sábado (25). "É insuportável imaginar como as horas seguintes devem ter parecido intermináveis", relatou ela.

Naquele dia o Titan desapareceu após 90 minutos após iniciar a descida. Até hoje, um único vídeo conseguiu gravar o navio a bordo onde registrou um um som da implosão. Entre as causas da implosão estão falhas em protocolos de segurança, cultura de trabalho tóxica na empresa, entre outros. Se não houvesse essas falhas, o acidente poderia ter sido evitado.

"Quando disseram que era catastrófico, eu sabia que Shahzada e Suleman nem sequer sabiam do que estava acontecendo. Num instante estavam lá e no seguinte já não estavam mais. Saber que não sofreram tem sido muito importante. Eles se foram, mas a forma como partiram torna tudo mais fácil", finalizou.

O relatório da Guarda Costeira, que conta com mais de 300 páginas, relata o dia do acidente, o histórico do submarino e até mesmo a cultura “tóxica” da OceanGate que levaram à implosão do submersível no dia 18 de junho de 2023.

Os principais fatores que levaram à tragédia foram:

Além disso, segundo a Guarda Costeira, a OceanGate não investigou anomalias conhecidas no casco do submarino após uma expedição ao Titanic um ano antes da tragédia, em 2022.

Naquela ocasião, o sistema de monitoramento em tempo real do Titan geraram dados que deveriam ter sido analisados, mas não foram. A empresa não levou em conta as informações, não fez nenhuma manutenção preventiva e armazenou o Titan inadequadamente até a expedição.

No dia da tragédia, o submarino Titan desapareceu pouco mais de uma hora depois de submergir no Oceano Atlântico, a cerca de 600 quilômetros da costa do Canadá. O submersível ia em direção aos destroços do Titanic, que ficam a 3.800 metros da superfície. Havia cinco pessoas a bordo no momento da implosão, sendo elas:

Por: ITATIAIA

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