As viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025 custaram ao menos R$ 44,4 milhões aos cofres públicos. O valor foi usado para custear 16 viagens oficiais ao longo do ano para fóruns multilaterais e visitas de Estado.
O presidente passou 50 dias fora do Brasil durante o ano. Foi um retorno a um ritmo mais intenso de compromissos internacionais depois da redução da agenda externa em 2024, quando um acidente doméstico limitou suas viagens.
No total, Lula visitou 19 países. A Ásia concentrou o maior período do petista no exterior, com 18 dias em viagens a Vietnã, Japão, China, Indonésia e Malásia.
Mas a viagem mais cara foi para a França, que incluiu visita de Estado e a Conferência dos Oceanos da ONU (Organização das Nações Unidas). O giro custou R$ 12,06 milhões em 6 dias. Em seguida, pela ordem dos custos, estão as viagens à Rússia e à China, com gasto de R$ 8,66 milhões, e à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, que somou R$ 6,72 milhões.

Os dados mostram que o aluguel de veículos e a hospedagem representam quase 90% das despesas. A contratação de carros e serviços relacionados somou R$ 20,5 milhões, enquanto a hotelaria chegou a R$ 18,8 milhões. Há também gastos com salas, intérpretes e serviços.
A primeira-dama Janja Lula da Silva acompanhou Lula em algumas das missões internacionais e participou de outras sozinha. Ela ficou 54 dias fora do país em 2025 e realizou 9 viagens. Os gastos com esses compromissos não são detalhados nos dados oficiais.

O Itamaraty afirma que as viagens presidenciais fazem parte da estratégia de reposicionamento internacional do Brasil. Segundo o governo, a atuação externa contribuiu para a abertura de mais de 500 mercados e para a derrubada do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos agrícolas brasileiros.
Os dados foram obtidos a partir de requerimentos feitos via Lei de Acesso à Informação. Parte das informações permanece protegida por sigilo legal, como detalhes de segurança e transporte aéreo.
A viagem à França foi a mais cara da agenda internacional de 2025. As despesas com hospedagem somaram R$ 6,34 milhões. Além do gasto com hotelaria, o custo elevado foi puxado também pelo aluguel de veículos e serviços de apoio, categorias que lideram os gastos totais da agenda internacional do presidente. As despesas com voos da FAB não entram no cálculo, pois permanecem sob sigilo. No total, o tour francês custou R$ 12 milhões.
Em Paris, onde o presidente fez uma visita de Estado e participou de encontros oficiais com o presidente Emmanuel Macron, as diárias de hotel chegaram a mais de R$ 64 mil por noite. Em Nice, sede da Conferência dos Oceanos da ONU, houve registros de diárias de até R$ 35,7 mil, de acordo com informações publicadas pelo Poder360.
A comitiva em Paris foi numerosa e reuniu 14 autoridades, incluindo 8 ministros de Estado. Estiveram na capital francesa, além de Lula e de Janja, os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Carlos Fávaro (Agricultura), Margareth Menezes (Cultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Também integraram a delegação o comandante da Marinha, almirante Marco Antonio Olsen; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; e o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
A etapa em Nice contou com uma comitiva reduzida, formada por 7 integrantes, focada na agenda ambiental e energética. O governo justificou a estrutura da viagem pelo caráter estratégico dos compromissos.
Apesar de ter sido a viagem com mais dispêndio, a Europa recebeu menos atenção em 2025. O ano marcou o retorno da estratégia de busca por “protagonismo internacional” do governo, focada em clima, multipolaridade e cooperação Sul-Sul.
O presidente priorizou fóruns internacionais para defender a reforma da governança global e o financiamento climático. Participou da cúpula do G7 no Canadá, da Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos e da cúpula do G20 na África do Sul. Os compromissos multilaterais representaram metade das viagens realizadas em 2025.
A intensificação dessas agendas se dá em momento de recrudescimento da polarização global. A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, lançada em dezembro de 2025, por exemplo, retoma conceitos da Guerra Fria sobre divisão do mundo em áreas de influência e reafirma a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental. O documento ignora o Brics –bloco do qual o Brasil faz parte junto com Rússia, Índia, China, África do Sul, entre outros países.
Metodologia do levantamento
O cálculo dos dias fora do Brasil considera como 1 dia toda data em que o presidente permaneceu no exterior durante a maior parte do horário de expediente oficial, das 8h às 17h.
Além das viagens do presidente, o levantamento inclui agendas internacionais da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva. Os gastos dessas viagens não são discriminados individualmente nos dados oficiais disponibilizados pelo governo.
Os valores foram informados em diferentes moedas estrangeiras, como dólar, euro), yuan chinês, peso chileno, dólar canadense e outras. Todos os montantes foram convertidos para real, de forma a permitir a consolidação e a comparação dos gastos totais.





