O setor de fruticultura de alta tecnologia do Brasil acompanha com otimismo os desdobramentos do acordo comercial provisório entre o Mercosul e a União Europeia. Entre os principais beneficiados pela redução de barreiras protecionistas estão os produtores de uvas de mesa, que enxergam no bloco europeu uma janela estratégica para ampliar as exportações e consolidar a presença da fruta nacional no exterior.
Atualmente, o envio de uvas de mesa para o mercado europeu esbarra em tarifas alfandegárias que pesam sobre a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes que já possuem acordos bilaterais estabelecidos. A consolidação do tratado promete zerar ou reduzir progressivamente essas alíquotas, gerando um alívio financeiro direto na cadeia exportadora.
De acordo com análises técnicas do setor, o fim das barreiras tarifárias deve impulsionar principalmente o polo produtor do Vale do São Francisco — cuja liderança exportadora está concentrada em Pernambuco, no município de Petrolina, e na Bahia, em Juazeiro.
O impacto positivo do acordo se divide em três pilares fundamentais:
Embora o cenário seja favorável, entidades ligadas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ponderam que a abertura comercial exigirá ainda mais eficiência das fazendas brasileiras. O mercado europeu é conhecido pelo alto rigor em relação aos critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e limite máximo de resíduos (LMR) de defensivos agrícolas.
A expectativa é de que, à medida que as tarifas forem cortadas, o setor de uva de mesa passe por uma nova onda de certificações internacionais. Especialistas apontam que os produtores que já operam com foco em boas práticas agrícolas e responsabilidade socioambiental estarão na vanguarda para capturar as melhores margens de lucro logo após a entrada em vigor das novas regras aduaneiras.





