• Sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Ucrânia acusa Rússia de usar o Brics para recrutamento de mulheres

Serviço de inteligência da Ucrânia acusa Rússia de recrutar jovens mulheres para produzir drones no país, com falsas promessas de emprego

O governo ucraniano acusou a de utilizar o grupo dos do qual o Brasil é membro-fundador, com o objetivo de recrutar mulheres para a produção de drones, que posteriormente são utilizados na guerra. A denúncia foi divulgada pelo Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia (SZR) na quarta-feira (27/8). Esquema de recrutamento De acordo com o serviço de inteligência da Ucrânia, a Rússia tem recrutado mulheres, vindas de países economicamente vulneráveis, para produzir drones em solo russo. O recrutamento aconteceria por meio de um programa conhecido como Alabuga Start, que oferece oportunidades de emprego na Rússia. Segundo investigações, estruturas dos Brics estariam sendo utilizadas para atrair tais jovens. De acordo com o relatório, a Rússia estaria utilizando o programa Alabuga Start — que oferece oportunidades de empregos no país — para realizar o recrutamento, principalmente para jovens de países economicamente vulneráveis da África, Ásia e . Ao ingressarem no programa, mulheres recebem ofertas de altos salários e perspectivas de carreira na Rússia. Ao chegar no território russo, contudo, elas são supostamente enviadas para a produção de drones na região do Tartaristão — conhecida por ser uma das maiores zonas industriais do país. Segundo a investigação ucraniana, o Brics teria sido utilizado recentemente no esquema, durante evento realizado em Durante o fórum focado em empreendedorismo feminino, realizado em maio deste ano, o braço da Aliança Empresarial de Mulheres do Brics (WBA) na assinou uma série de acordos de cooperação com empresas russas. Leia também Entre eles, um pacto para que 5,6 mil sul-africanas fossem enviadas para trabalhar na Alabuga Start, que seriam supostamente enviadas para a linha de produção de drones russos segundo a Ucrânia. O acordo entre a aliança sul-africana e o setor empresarial russo é público, e 2 imagens Durante o evento em Moscou, sul-africanos assinaram acordos com empresas da RússiaFechar modal. 1 de 2 Delegação da Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS (WBA) África do Sul Divulgação/Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS 2 de 2 Durante o evento em Moscou, sul-africanos assinaram acordos com empresas da Rússia Divulgação/Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS Alabuga Start Não está claro qual é a ligação entre o programa e o governo russo. Ele, porém, é vendido como uma oportunidade para jovens mulheres morarem e trabalharem na Rússia. Segundo informações publicas no site do Alabuga Start, empregos nas áreas de transporte e logística, serviço e hospitalidade, operador de produção, trabalhos de montagem e trabalhos em finalização são ofertados para as participantes da iniciativa. As vagas são para períodos de até 2 anos.   Além disso, o programa ainda oferece aulas de russo, hospedagem, salário inicial de US$ 541 dólares e voo pago para a Rússia. O programa afirma que jovens de 44 países foram contratados por empresas russas neste ano, entre elas mulheres do Brasil, Moçambique, Colômbia, Mali, Ruanda, Sudão do Sul e O Metrópoles entrou em contato com a Alabuga Start, e questionou o posicionamento do programa sobre as acusações. Até a publicação desta reportagem, não houveram retornos. O espaço segue aberto. O que é o Brics? O Bric foi criado em 2001 por Jim O’Neill, economista do Goldman Sachs, ao se referir a Brasil, Rússia, Índia e China como economias emergentes com grande potencial de crescimento até 2050. Inicialmente, o Bric era apenas uma recomendação para investidores, no entanto, a formalização do grupo aconteceu em 2006 na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com a primeira reunião ministerial informal. O trabalho conjunto ganhou força depois da crise financeira de 2008, seguido pela primeira cúpula de chefes de Estado em 2009, na Rússia. No ano seguinte, em 2010, se formalizou a entrada da África do Sul, oficializando o “S” no acrônimo: Brics. Apesar das diferenças culturais e regionais, os membros do Brics compartilham um vasto território com uma população numerosa, além de um rápido processo de industrialização. Agora, fazem parte do Brics: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia.
Por: Metrópoles

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