O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (25), em entrevista à Fox News, que mandou sua equipe cancelar a viagem ao Paquistão, onde dariam continuidade às conversas com autoridades do Irã sobre o fim da guerra.
"Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir, e eu disse: 'Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada'", informou a Fox News, citando as palavras do presidente em uma conversa por telefone.
A visita ocorre em meio a uma guerra que já dura cerca de oito semanas, deixou milhares de mortos e provocou impactos mundial, especialmente no preço do petróleo.
O Paquistão, que atua como mediador entre Irã e EUA, passou dias tentando facilitar a retomada do diálogo iniciado há duas semanas. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, concluiu neste sábado (25) sua visita a Islamabad.
Araghchi, chegou a Islamabad na noite de sexta-feira (24) e se reuniu neste sábado com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, e com o primeiro-ministro, Shehbaz Sharif.
Segundo seu ministério, Araghchi explicou aos seus interlocutores "as posições de princípio do seu país sobre os últimos desenvolvimentos relacionados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta ao Irã".
Ele deixou o Paquistão horas depois, neste mesmo sábado, segundo a agência oficial Irna. Depois de Islamabad, o chanceler seguiria sua viagem para Omã e Rússia. No entanto, "nenhuma reunião está agendada entre o Irã e os Estados Unidos", afirmou anteriormente no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
Ele esclareceu que seu país transmitiria sua posição aos americanos por meio dos mediadores paquistaneses.
O cenário é tenso
De um lado, os EUA realizaram ataques e impuseram restrições; do outro, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo no mundo. Esse impasse tem afetado o abastecimento global e feito os preços dos combustíveis dispararem.
Mesmo com as dificuldades, o governo americano sinaliza algum otimismo. A Casa Branca afirma ter visto pequenos avanços recentes e espera novos progressos nas conversas previstas para este fim de semana.
Em resumo, ainda não há acordo fechado, mas existem movimentações diplomáticas importantes em curso. A possibilidade de negociação traz alguma esperança de redução das tensões, embora o conflito e seus efeitos continuem impactando vários países.
Conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Pouco antes do conflito completar dois meses, Irã confirmou, em 7 de abril, o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos por duas semanas. Neste período, uma rodada de negociações para uma trégua definitiva aconteceu no Paquistão, mas os países não chegaram a um acordo.
Próximo do fim do prazo, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu, em 21 de abril, estender o cessar-fogo firmado entre o país e o Irã “até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito em definitivo, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*com informações de AFP





