O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebeu no sábado (31) uma série de manifestações públicas de apoio de aliados políticos, após ser criticado por setores mais radicais do bolsonarismo. Deputados estaduais, integrantes do governo paulista e lideranças políticas publicaram mensagens exaltando sua atuação à frente do estado, e o governador compartilhou parte das homenagens em seus perfis.

Participaram da mobilização o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Henguel Ricardo Pereira, o deputado estadual Capitão Telhadinha (PP) e o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Pessoas do entorno do governador interpretaram as publicações como uma demonstração de apoio político durante o período de desgaste com alas mais radicais da direita.

Críticas após posicionamento sobre a eleição

A reação contra o governador ocorreu depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tarcísio havia participado ativamente da campanha do aliado, mas passou a ser alvo de ataques após defender publicamente o reconhecimento do resultado eleitoral.

Em vídeo divulgado na terça-feira (27), ele afirmou que a disputa havia terminado e que o país precisava olhar para o futuro. Nos dias seguintes, também admitiu, em entrevistas, a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030. As declarações provocaram reações negativas de apoiadores mais radicais de Jair Bolsonaro, que passaram a chamá-lo de “traidor” nas redes sociais.

Reeleito governador no primeiro turno, com 14.491.874 votos, equivalentes a 62,65% dos votos válidos, Tarcísio dedicou grande parte do período entre os dois turnos à campanha presidencial de Flávio. Ele participou de agendas em diferentes estados, esteve ao lado do candidato em eventos públicos e coordenou ações de mobilização eleitoral em São Paulo. Na véspera do segundo turno, disse que mais de 100 eventos haviam sido organizados no estado para impulsionar a candidatura.

Silêncio de aliados chama atenção

Até o período observado no sábado, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP) não haviam publicado mensagens semelhantes em defesa do governador. Os dois estiveram ao lado de Tarcísio durante a campanha eleitoral.

A ausência de Nunes ocorre enquanto aliados descrevem como estremecida a relação entre o prefeito e o governador. Nunes enfrenta um pedido de impeachment na Câmara Municipal de São Paulo após a repercussão dos problemas no transporte coletivo da capital no dia do segundo turno.

Segundo pessoas próximas ao prefeito, ouvidas pela fonte original, existe a percepção de que Tarcísio estaria evitando uma aproximação pública com Nunes para não associar sua imagem às polêmicas da administração municipal e a um eventual avanço do processo de impeachment. Essa avaliação é atribuída aos interlocutores de Nunes e não confirma que o governador tenha adotado deliberadamente essa estratégia.

A relação entre os dois foi marcada por uma aliança política nos últimos anos. Tarcísio apoiou Nunes na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, enquanto o prefeito participou da campanha de reeleição do governador em 2026.

O silêncio de Derrite também ganhou destaque pelo papel desempenhado por ele na campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente na formulação de propostas para a área de segurança pública. A ausência dos dois ocorre em meio à reorganização das forças políticas de direita após a eleição presidencial.

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