O ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) entrou na alça de mira do chamado ‘bolsonarismo raiz’ após a grande repercussão da discussão travada com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas redes sociais, apoiadores da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fizeram críticas a posicionamentos antigos do mineiro no momento em que ele experimenta destaque nacional com o embate travado com a Suprema Corte.
As respostas de Gilmar Mendes à série de vídeos que Zema tem postado em suas redes sociais colocaram o mineiro em evidência. Batizados de “Os Intocáveis”, os vídeos feitos com inteligência artificial retratam ministros do STF e outras autoridades da capital federal como fantoches e apontam o que o mineiro considera como regalias, abuso de poder e corrupção.
A atenção do magistrado colocou Zema como tema no noticiário nacional durante sua pré-campanha pelo Palácio do Planalto em que uma das principais missões é se tornar conhecido além dos limites de Minas Gerais. A repentina exposição de Zema se dá em meio a uma cruzada de nomes ligados ao clã Bolsonaro pela defesa da candidatura de Flávio em um cenário em que outros nomes da direita se apresentam para a disputa.
Paulo Figueiredo, braço-direito de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em sua empreitada nos Estados Unidos, resgatou um vídeo de 2021 para questionar a postura de Zema em relação à pandemia da Covid-19.
Em um vídeo publicado no X na última quinta (23), Figueiredo resgatou uma entrevista em que ele pergunta a Zema sobre o lockdown adotado pelo então governador de Minas para conter o avanço do novo coronavírus no estado. Na legenda, ele questiona:
“Eu gostaria muito de ouvir do Romeu Zema sobre se ele se arrepende da ditadura sanitária implementada em Minas Gerais sob o seu governo durante a pandemia. Hoje, depois de tudo que sabemos, dá para reconhecer o erro? Minha posição sempre esteve clara”, escreveu.
Eu gostaria muito de ouvir do @RomeuZema sobre se ele se arrepende da ditadura sanitária implementada em Minas Gerais sob o seu governo durante a pandemia. Hoje, depois de tudo que sabemos, dá para reconhecer o erro? Minha posição sempre esteve clara. pic.twitter.com/1XaKpz7rHS
— Paulo Figueiredo (8) (@pfigueiredo08) April 23, 2026
A crítica retroativa também foi praticada por Carlos Bolsonaro (PL-SC), irmão de Flávio e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. O ex-vereador foi às redes sociais para resgatar uma notícia publicada pelo Portal UOL em março de 2023 em que Zema se diz ‘totalmente favorável’ à reforma tributária tocada pelo Governo Lula.
Em seu perfil no X, Carlos defendeu a união da direita em torno do nome de Flávio e disse que o povo catarinense manifesta preocupação com os possíveis impactos da reforma tributária. Em uma crítica velada a Zema, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que há pessoas que desejam ‘enterrar seu pai vivo’.
“Diferente daqueles que, além de não apoiarem Jair Bolsonaro, também desejam enterrá-lo vivo politicamente e utilizam perfis de terceiros para cumprir esse objetivo, fingindo ingenuidade diante dos olhos de todos, trago aqui apenas mais um fato, não um ataque. É preciso explicar, porque os senhores sabem muito bem como o sistema age quando manipula a semântica conforme lhe convém”, escreveu Carlos.
É preciso deixar muito claro: por onde passo em Santa Catarina e pelo Brasil, investidores e contratados demonstram enorme preocupação com o aumento de impostos trazido pela reforma tributária, que sequer entrou plenamente em vigor. Trata-se de mais um verdadeiro cargueiro… pic.twitter.com/jpBG4WVqEc
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) April 27, 2026
Entre os mineiros, a cruzada pró-Flávio é encampada pelo deputado estadual Bruno Engler (PL-MG), alinhado ao bolsonarismo em Minas desde a eleição de 2018. No X, o parlamentar publicou um trecho de uma entrevista em que ele questiona as críticas feitas por Zema ao STF em comparação ao que considera uma perseguição feita pela Corte a Jair Bolsonaro.
“Você quer saber quem é o inimigo do Supremo Tribunal Federal? Olha quem está pagando o preço. Quem que está preso injustamente por uma tentativa de golpe que não existiu? É o Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro ou é o Romeu Zema? Quem é que está exilado nos Estados Unidos sem poder ver o pai que tá com a saúde debilitada, sem poder dar um abraço no próprio pai? É o Zema ou é Eduardo Bolsonaro, irmão do pré-candidato Flávio Bolsonaro? Então é só ver quem está pagando o preço, quem está sofrendo as consequências. Gente, o mundo não começou semana passada. Quem enfrenta o STF é o bolsonarismo, é a família Bolsonaro representada nessa eleição pelo nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro. E o que a gente tá dizendo é simplesmente apontar o óbvio. Foi bom o que o Zema falou? Sim. Foi pertinente? Sim. Concordo com ele? Sim. Ele é o nosso candidato? Não. Só isso. É esse o recado”, disse Engler.
Reflita comigo: quem está pagando um alto preço por enfrentar o STF? pic.twitter.com/7WrSZCiZ3h
— Bruno Engler (@BrunoEnglerDM) April 24, 2026
Nos comentários das publicações, seguidores se dividem em apoiar Zema ou a criticar o endosso ao ex-governador mineiro como uma forma de levar a pré-candidatura de Flávio ao ocaso.





