• Sábado, 31 de janeiro de 2026

Sob Lula, rombo fiscal fecha 3º ano seguido acima de R$ 1 trilhão

Ao considerar os gastos com juros da dívida, rombo nas contas públicas foi de R$ 1,076 trilhão em 2025.

O setor público consolidado –formado por União, Estados, municípios e estatais– fechou com um rombo fiscal acima de R$ 1 trilhão pelo 3º ano seguido. O deficit nominal acumulado em 2025 foi de R$ 1,076 trilhão. Havia sido de R$ 1,074 trilhão em 2023 e de R$ 1,065 trilhão em 2024. Os valores foram corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com referência em dezembro de 2025.

O Poder360 fez o levantamento com base nos dados divulgados pelo BC (Banco Central) na 6ª feira (30.jan.2026). O resultado nominal do setor público consolidado é um indicador mais abrangente que o resultado primário, comumente citado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os números da autoridade monetária consideram os gastos com juros da dívida pública. Leia a íntegra (PDF – 338 kB).

O patamar elevado do deficit nominal é um termômetro da deterioração das contas públicas brasileiras. Mesmo que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha tido uma arrecadação recorde em 2025 com o aumento de impostos e outras iniciativas de elevação de receita, a dívida pública do Brasil segue em trajetória acelerada de alta.

A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) –que contempla o governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais– terminou 2025 aos 78,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Em valores, corresponde a R$ 10 trilhões. A dívida aumentou 7,0 pontos percentuais no governo Lula.

O Tesouro Nacional divulgou na 4ª feira (28.jan.2026) que só a DPF (Dívida Pública Federal) fechou 2025 aos R$ 8,65 trilhões, registrando a maior alta anual desde 2015. O estoque poderá atingir R$ 10,3 trilhões neste ano de eleições, segundo o Ministério da Fazenda.

Em valores corrigidos pela inflação, o setor público consolidado gastou R$ 1,023 trilhão com juros da dívida. O valor está relacionado com a taxa básica, a Selic, em 15% ao ano desde junho. Os juros mais altos encarecem o custo da dívida.

Com a dívida pública federal crescendo R$ 2,79 trilhões em 2025, os agentes financeiros incorporam fatores de riscos no cenário econômico de longo prazo. Os investidores entendem que o governo está expandindo gastos, o que impulsiona a economia e impôs desafios para a política monetária.

Quanto maior a Selic, mais caro fica para o governo pagar os juros da sua própria dívida. O BC aumentou o juro base para 15% ao ano para frear a economia, que mostra forte aquecimento no mercado de trabalho e pressões inflacionárias que levam o IPCA para fora do intervalo da meta de 3%.

O governo aumenta o endividamento e também piorou a trajetória do saldo das contas. O setor público consolidado registrou deficit primário –que exclui os juros da dívida– de R$ 53,3 bilhões, em valores reais, em 2025. O saldo negativo aumentou 6,7% em relação a 2024 em termos reais.

A Selic alta é o prêmio de risco para atrair investidores. Se o retorno financeiro for baixo, a atratividade dos títulos diminui. Na prática, os juros altos servem para que os agentes financeiros continuem financiando a dívida brasileira.

O Poder360 já publicou que a lei que controla o crescimento das despesas proposta pelo ministro Haddad não melhorou as perspectivas futuras para a dívida pública. As estimativas para a dívida bruta estão piores do que antes do início do governo Lula.

O Tesouro Nacional divulgou na 5ª feira (29.jan.2026) que o governo central (formado por governo federal e Banco Central) registrou um deficit primário de R$ 61,7 bilhões em 2025. Para atingir o resultado e cumprir as metas do arcabouço fiscal, a equipe econômica desconsiderou R$ 48,7 bilhões em despesas, o que resulta em saldo negativo de R$ 13 bilhões.

Segundo o governo federal, a despesa total aumentou de 18,7% para 18,8% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2022, antes do governo Lula, era de 18%.

Por: Poder360

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