O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem “aversão a controle de gastos”, diz relatório do Goldman Sachs depois de o Banco Central reportar um deficit primário de R$ 55,0 bilhões nas contas públicas. O saldo negativo aumentou em relação a 2024, quando foi de R$ 47,6 bilhões.
Os dados fazem parte do setor público consolidado, que é formado por União, Estados, municípios e estatais. O Poder360 mostrou neste sábado (31.jan.2026) que o deficit primário –que exclui os juros da dívida– ficou acima de R$ 1 trilhão pelo 3º ano consecutivo, o que corresponde a 8,34% do PIB.
Segundo o Goldman Sachs, o deficit fiscal ultrapassou 8% do PIB em todos os anos do governo Lula. O estoque da dívida pública bruta encerrou 2025 em 78,7% do PIB, ante 71,7% no final de 2022. “A expectativa é de que continue a aumentar”, disse o relatório.
E completou: “Uma posição fiscal pró-cíclica e a aversão ao controle de gastos minaram severamente a credibilidade das metas fiscais e contribuíram para uma economia superaquecida”.
O Goldman declarou que o Brasil tem um marco fiscal frágil e instável que aumentou os prêmios de risco fiscal.
“Colocar a trajetória da dívida em uma tendência estrutural de queda sustentada e constituir reservas fiscais continuam sendo desafios macroeconômicos cruciais. Isso exigiria superavits fiscais primários estruturais acima de 2% do PIB, o que contribuiria para a redução da taxa de juros real neutra. Tal resultado é altamente improvável no curto prazo, em nossa opinião”, disse o Goldman Sachs.
O Tesouro Nacional calculou um deficit primário nas contas do governo central em R$ 60,6 bilhões em 2025. O saldo negativo subiu 32,3% em relação a 2024. As receitas subiram 2,8%, para R$ 2,37 trilhões, enquanto as despesas tiveram alta de 3,4%, para R$ 2,43 trilhões.
Tiago Sbardelotto, economista da XP, estima deficit de R$ 48,8 bilhões em 2026, o que representaria uma “ligeira melhora” em relação a 2025. Segundo ele, a queda do saldo negativo se dará com a aprovação de medidas que aumentam a receita.
O Poder360 já publicou que a lei que controla o crescimento das despesas proposta pelo ministro não melhorou as perspectivas futuras para a dívida pública. Ao contrário, as estimativas estão piores do que antes do início do governo Lula.
O Itaú afirmou que, apesar do cumprimento formal da meta, com a exclusão de despesas do cálculo, o contínuo aumento da dívida pública, a desaceleração do crescimento das receitas e o controle limitado das despesas reforçam a “insuficiência das regras fiscais vigentes para estabilizar a trajetória da dívida pública”.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, disse que o resultado fiscal mais frouxo e sua “baixa credibilidade” vêm pressionando o custo da dívida pública, tanto pelo “prêmio de risco” como pela inflação mais alta.
“O deficit nominal está no insustentável patamar de 8% do PIB, ou cerca de R$1 trilhão em 2025. A dívida bruta segue em alta e terminou o ano em 78,7% e a dívida líquida no recorde de 65,3%. Projetamos que em 2026 a dívida bruta chegue a 83% do PIB, uma forte alta de 11 p.p. em 4 anos [de governo Lula]”, disse Rafaela.





