A escalada de conflitos no Irã fez com que o preço do petróleo tipo Brent –referência mundial– voltasse a subir desde dezembro de 2025 e dissolveu o impacto dos planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para aumentar a produção de petróleo da Venezuela e a presença do produto no mercado.
Segundo o sócio-fundador do Cbie (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires, existia a expectativa de que Trump, em curto e médio prazo, conseguisse manter o preço do petróleo em queda, como observado em 2025, mas a presença de navios americanos “fechando o cerco” contra o Irã e causando indefinição sobre o futuro da produção local reverteu o movimento de queda em uma alta acentuada.
“O Irã está cercado pelos navios americanos. O Irã produz boa parte da oferta global. E hoje, os petroleiros não estão conseguindo encostar nos portos do Irã para pegar petróleo e levar para a China. Ninguém sabe como é que vai ser o desenrolar do conflito. Se os EUA vão invadir o Irã ou não. A tensão no Irã está fazendo com que o preço do petróleo volte a subir”, afirmou Pires em entrevista ao Poder360.
Trump afirmou, em 21 de janeiro, que os EUA haviam retirado 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela desde que realizaram a operação militar no país para capturar Nicolás Maduro e retirá-lo da presidência, e que estão vendendo os barris no mercado aberto para reduzir o preço do petróleo e, consequentemente, o preço dos combustíveis para os norte-americanos.
O preço do petróleo se manteve em média US$ 60 de abril de 2025 até dezembro, quando a tensão no Irã voltou a subir. Desde então, a cotação do petróleo cresceu e já está em média de US$ 70.
O Irã permanece como um dos principais focos de risco para o mercado internacional de petróleo. O país responde por cerca de 4 milhões de barris por dia, aproximadamente 4% da produção global, e está inserido em uma das regiões mais sensíveis para o fluxo de energia no mundo.
O fator central de preocupação é o risco de interrupção da oferta. O endurecimento de sanções dos Estados Unidos pode reduzir exportações iranianas realizadas por canais indiretos, especialmente para a China, retirando barris adicionais do mercado. Mesmo medidas incrementais tendem a ser rapidamente precificadas, elevando a volatilidade das cotações.
O risco mais relevante, contudo, está associado a uma possível escalada militar. O Irã tem capacidade de afetar a navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A ameaça de restrições ao tráfego já é suficiente para pressionar os preços, ainda que não haja interrupção efetiva do fornecimento.
Nos EUA, o preço dos combustíveis é formado pelo custo do petróleo, despesas de refino, distribuição, margens de postos e impostos federais e estaduais, além de sofrer influência de oferta e demanda local.
Levantamento realizado pelo Poder360, com base em dados semanais de 2017 a 2026 disponibilizados pelo Departamento de Energia dos EUA, mostrou que as oscilações no preço da gasolina nos Estados Unidos estão mais atreladas a crises globais do que a políticas presidenciais, o que também se observa no caso da Venezuela.
Veja o histórico de preços dos combustíveis nos EUA. Clique aqui para abrir o gráfico em uma nova guia.
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Os dados indicam que os picos e vales da série histórica coincidem com eventos de grande impacto na oferta e demanda de petróleo, como desastres naturais, pandemia e conflitos armados. Efeito que ainda não tem se repetido na questão da Venezuela.
Eis os destaques do período analisado:





