• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Setor de serviços cresce 0,1% em fevereiro, diz IBGE

Setor foi impactado pela alta nas atividades de informação e comunicação; especialistas apontam tendência de moderação

O volume de serviços no Brasil teve uma variação positiva de 0,1% em fevereiro, na comparação com janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (14). O resultado é influenciado pelas altas nas atividades de informação e comunicação (1,1) e transportes (0,6%).

Apesar do resultado positivo, o percentual ficou abaixo das estimativas do mercado medidas pelo Projeções Broadcast, do Estadão, que eram de alta de 0,5%. Porém, os volume de serviços está 20% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e igual o topo da série histórica.

Frente a fevereiro de 2025, o volume de serviços cresceu 0,5%, seu 23º resultado positivo consecutivo. O acumulado nos dois primeiros meses do ano foi de 1,9%. O acumulado nos últimos doze meses foi a 2,7%, reduzindo o ritmo de expansão frente a janeiro (3,0%).

Segundo o analista Luiz Carlos de Almeida Junior, do IBGE, o protagonismo do setor de informação está se consolidando desde o período pós-pandemia, influenciando o ritmo do setor como um todo. “Os serviços de Informação e Comunicação foram os que mais influenciaram o resultado na variação contra o mês imediatamente anterior e na variação contra o mesmo período do ano passado”, disse.

Em fevereiro, três das cinco atividades investigadas na PMS cresceram. Além de Informação e Comunicação e Transportes, a outra expansão do mês ficou com os serviços prestados às famílias (1,4%), que se recuperou da perda de 0,5% registrada em janeiro e assinalou a taxa mais intensa desde março de 2025 (1,8%).

“Os transportes crescem 0,6% na comparação contra o mês anterior puxados de forma positiva principalmente pelo transporte rodoviário de cargas, atividades relacionadas a logística e armazenamento de cargas e o transporte metroferroviário de passageiros; e pelo lado negativo pelo transporte aéreo de passageiros”, explicou.

Em contrapartida, os serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%) registraram a terceira taxa negativa seguida, período em que acumulou uma perda de -0,7%. Também no campo negativo, os outros serviços (-0,4%) devolveram parte do ganho observado em janeiro (3,6%).

Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o resultado indica a continuidade da moderação do setor. “Apesar de estar no topo da série histórica, vemos o setor desacelerando na margem e ainda altamente dependente do desempenho de setores menos cíclicos, como os serviços de informação e comunicação”, disse o especialista.

“Para os próximos meses, esperamos que o impacto da alta dos combustíveis, reduzindo a renda real das famílias, e o estoque do aperto monetário, continuem atuando para desacelerar o setor e esperamos um crescimento de 2% dos serviços em 2026”, completou.

Por: Redação

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