Entre julho de 2025 e março de 2026, o crédito rural empresarial apresentou desempenho expressivo, com crescimento de 10% no volume total de recursos contratados, que somam R$ 404 bilhões. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN), da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do SICOR/Banco Central. O levantamento aponta avanço no setor, ainda que com resultados desiguais entre as modalidades.
O documento indica desempenhos distintos nas linhas de crédito. A industrialização registrou alta de 74%, alcançando R$ 28,1 bilhões. A Cédula de Produto Rural (CPR) cresceu 38%, totalizando R$ 183,1 bilhões. Já o custeio teve retração de 11%, com R$ 120 bilhões. Como a CPR é utilizada majoritariamente para custeio, a soma das duas modalidades resulta em crescimento de 13% nessa categoria.
As linhas de investimento recuaram 16%, somando R$ 45,5 bilhões, enquanto a comercialização apresentou queda de 10%, com R$ 27,2 bilhões. A maioria dos programas de investimento registrou retração, refletindo a cautela do setor diante das atuais taxas de juros e da expectativa de redução da Selic até o fim de 2026. Entre os destaques negativos estão o Moderfrota (-47%, R$ 3,96 bilhões), o Proirriga (-46%, R$ 0,74 bilhão) e o Pronamp (-26%, R$ 4,33 bilhões). O Prodecoop foi exceção, com alta de 20%, atingindo R$ 0,90 bilhão.
O número total de operações caiu 24%, passando de 534.351 para 408.353 contratos. Regionalmente, todas as regiões registraram redução tanto em volume quanto em número de contratos. O Nordeste apresentou a maior queda, com retração de 36% nas operações e de 30% nos valores. A região Sul lidera em número de contratos, enquanto o Sudeste concentra o maior volume financeiro.
No que diz respeito às fontes de recursos, as não controladas — como LCA Livre, Poupança Rural Livre e BNDES Livre — somaram R$ 97,3 bilhões, uma queda de 19%. Já as fontes controladas totalizaram R$ 106,5 bilhões, com recuo de 7%. O destaque foi o crescimento atípico da LCA Controlada, que avançou 3.564%.





